O
Mundo Bizarro das SUPERCORDAS
Imagine um universo onde, no lugar das 3
habituais dimensões espaciais que conhecemos,
existam 10, 11, talvez 12 dimensões. E tudo o
que existe neste universo - partículas, energia,
forças, tudo - seja formado por pequenas cordas
vibrantes. Parece ficção? Bem, este é como se
parece o mundo descrito pela teoria das
SuperCordas (superstrings), que se autoproclama
a "Theory of Everything" (TOE).
Partícula
|
Massa*
|
Carga**
|
Elétron
|
0,054
|
-1
|
Elétron
Neutrino
|
<10-8
|
0
|
Up Quark
|
0,047
|
2/3
|
Down Quark
|
0,074
|
-1/3
|
Muon
|
0.11
|
-1
|
Muon
Neutrino
|
<0,0003
|
0
|
Charm Quark
|
1,6
|
2/3
|
Strange Quark
|
0,16
|
-1/3
|
Tau
|
1,9
|
-1
|
Tau Neutrino
|
< 0,033
|
0
|
Top Quark
|
189
|
2/3
|
Bottom Quark
|
5,2
|
-1/3
|
Força
|
Partícula
|
Massa*
|
Forte |
Gluon |
0 |
Eletromagnética |
Fóton |
0 |
Fraca |
Bosons |
86, 97 |
Gravidade
|
Graviton***
|
0***
|
* múltiplo da massa do próton
**carga elétrica
***nunca foi observada
|
De onde vêm as 4 forças
que conhecemos?
De onde vêm as
partículas que detectamos?
Por que as partículas tem
carga? Qual é a
natureza do espaço-tempo e
gravidade?
Nenhuma teoria conseguiu, ainda, encontrar
respostas satisfatórias para todas estas
perguntas. Está surgindo, entretanto, uma nova
forma de olhar para o universo: a teoria das
supercordas não só encontra uma elegante
resposta unificada, para todas as perguntas
acima, como também nos apresenta um mundo muito
diferente do qual pensamos viver. O Portal de
Estudos em Química traz para você um resumo
desta teoria, seus pontos fortes e fracos, e a
opinião de alguns sérios cientistas sobre o
assunto.
De acordo com a
teoria das SuperStrings os ingredientes do
universo não são partículas pontuais - tal
como aprendemos na escola. Ao contrário, os
ingredientes são finos e minúsculos
filamentos, que vibram de acordo com sua energia.
Estas cordas podem ser abertas ou fechadas (tal
como uma borracha de dinheiro). Todas as
partículas fundamentais são, na verdade,
formadas por filamento(s) que vibram; de acordo
com o modo de vibração das cordas, surgem suas
propriedades (massa, energia, carga, etc.).
Estas cordas são tão pequenas (na escala do
comprimento de Plank - 10-33cm - e
extremamente rígidas: uma tensão de 1039
toneladas.
Vistas
com os instrumentos hoje disponíveis, estas
cordas pareceriam pontos. Os diferentes padrões
vibracionais das cordas dão origem a diferentes
massas e diferentes cargas.
Outras
dimensões:
|
Em 1919, um desconhecido matemático
polonês, Theodor Kaluza, teve a
coragem de desafiar o óbvio -
sugeriu que o universo pode não ter, na
verdade, somente 3 dimensões espaciais;
pode ter mais! Quando, em abril de 1919,
enviou seu artigo, recebeu um não
do editor, A. Einstein: "At first glance,
I like your idea enormously;(...). I
have read through your paper and find it
really interesting. (...) On the other
hand, I have to admit the arguments do
not appear convincing enough: . Mas, em
outubro do mesmo ano, Einstein mandou
outra carta, autorizando a publicação do
artigo.
QMCWEBperguntou
No exemplar 11,
perguntamos:
"Quantas
dimensões tem o nosso universo?
"
68 % = 3 dimensões
25 % = 4 dimensões
7% outros (zero,
infinitas, ...)
|
A teoria das Supercordas clama a
existência de mais dimensões- algo entre
10 a 12.
Estas dimensões são curvas e muito
pequenas (próximas ao comprimento de
Plank) que não as detectamos em nosso
nível macroscópico. Dentre todas as
dimensões existentes, apenas 4 (o tempo
e 3 dimensões espaciais), se expandiram
após o Big Bang.
->dimensões
curvas?
Pense num ponto. Por definição, ele não
tem nenhuma dimensão. Se esticarmos este
ponto, ele se torna uma linha, com uma
dimensão (comprimento). Se aumentarmos a
espessura da linha, ela ganha uma nova
dimensão - uma dimensão curva, circular.
Se quisermos definir a posição de um
ponto sobre a linha, precisamos definir
sua posição em relação ao comprimento da
linha e à sua espessura. Segundo a
teoria das supercordas, além das
familiares 3 dimensões - largura,
comprimento, e altura (x,y,z), o espaço
tem mais várias dimensões, todas curvas;
a forma deste "amontuado" de dimensões
curvas é conhecida como "Calabi-Yau
space", em homenagem a dois matemáticos,
Eugenio Calabi e Shing-Tung Yau, que, em
1957 e 77, respectivamente, que fizeram
descrições matemáticas de espaços
multi-dimensionais.
Em suma, quando movemos nossa mão da
esquerda para a direita estamos
percorrendo, não só uma, mas várias
dimensões ao mesmo tempo. Estamos ciente
de uma delas; as outras são tão
microscópicas que nem o
mais potente microscópio pode detectar. |
Os conflitos
na unificação

Nascem vários problemas quando se tenta combinar
a Teoria Geral da Relatividade com a Teoria de
Campo Quântica. O primeiro é o surgimento de
infinidades nos cálculos quânticos - coisas como
probabilidades infinitas ou negativas. Se
trocarmos as partículas pontuais por cordas
vibrantes, o problema desaparece.
Outro está relacionado ao "tecido" do
espaço-tempo. De acordo com a teoria geral da
relatividade, o espaço-tempo é, na ausência de
um corpo com massa, liso e uniforme. Mas, na
teoria quântica, uma olhada mais de perto (na
escala do comprimento de Planck) o espaço-tempo
se
mostraria
como um mar rebelde, devido ao "frenesi"
quântico - lembra do experimento da partícula na
caixa? (John Wheller utilizou o termo "espuma
quântica" para definir o universo observado
ultramicroscopicamente). Em suma, a noção de
uma geometria espacial lisa e uniforme, o
princípio central da relatividade geral, é
destruída pelas violentas flutuações do mundo
quântico em escalas menores. Em outras
palavras, ocorre um conflito entre o Princípio
da Incerteza de Heisenberg e o Espaço-Tempo de
Einstein.
Pontos x Ondas
|
De
acordo com a mecânica quântica, uma
partícula e uma antipartícula podem,
momentaneamente, aniquilar uma à outra,
produzindo um fóton. O lugar da
interação é fixo e imutável: independe
da posição ou movimento do observador.
Duas cordas podem se colidir e emergir
numa terceira corda. Neste caso, o local
exato da interação depende da posição e
velocidade do observador. |
Realidade ou
Abstração Matemática?
Embora não exista qualquer evidência
experimental que sustente a teoria das
supercordas, milhares de artigos científicos
já foram publicados. Centenas de
pesquisadores, no mundo inteiro, utilizam o
dinheiro público para pesquisar surpercordas.
Seria o nosso universo tão fantástico e bizarro
quanto o descrito pelas supercordas? Ou tudo
não passa de abstrações matemáticas, sem
correlações com o mundo real? Vejamos o que
pesquisadores de renome tem a dizer:
Sheldon Glashow
(ganhador do prêmio Nobel da Física): "The
theory depends for its existence upon magical
coincidences, miracolous cancellations and
relations among seemingly unrelated fields of
mathematics. (...) Should string theorists be
paid by physics departments and allowed to
pervert impressionable students?"
Richard Feynman: "The
fact that a theory gets rid of infinities is to
me not a suficient reason to believe its
uniqueness"
Howard Georgi
(colega de Glashow): "I'm much happier now
to see people spending their time on string
theory since I can now see how something usefull
will come out of it"
|
|
Descobrindo a
Teoria das Cordas

 |
Adaptação da matéria da Scientifc
American Brasil - Janeiro/2004 - pág 48-57
Estrutura básica
envolvendo a natureza
da matéria é
comparável ao encontro de
um tesouro. Promessas
dos primeiros
indícios poderão ser
confirmadas por
escavações mais
profundas. |
Existem dois tipos de
teorias para descrever as leis físicas de nosso Universo - as
teorias "construídas" e as teorias "descobertas". Uma teoria
"construídas" é como um prédio que começa com uma base sólida e
onde são colocadas paredes e janelas em posições que dependem da
função do edifício. Se houver desejo de modificá-lo
posteriormente, poderá ser feita uma mudança nas paredes e
janelas sem afetar sua estabilidade. Da mesma forma, uma teoria
"construída" pode ser modificada para concordar com nossos
resultados experimentais, supondo que estes resultados não
discordem da "base" da teoria.
Outra possibilidade é a teoria
"descoberta", comparável a um tesouro enterrado. O tesouro é
achado por acaso quando alguém percebe, digamos, algumas moedas
no chão e, após escavar por algum tempo, descobre a magnitude do
tesouro. Ao contrário de uma teoria "construída", uma teoria
"descoberta" é dificilmente modificada porque não se pode
avaliar o tesouro antes de encontrá-lo. mas devido ao fato de a
"escavação" ser baseada em pesquisa teórica e não em
experiências, uma teoria "descoberta" pode ser desenvolvida na
ausência de novos resultados experimentais, o que é difícil de
fazer com uma teoria "construída".
Um bom exemplo de uma teoria
construída é o "modelo padrão" das interações fundamentais, que
descreve três das quatro forças conhecidas. Essas três forças
são: a força eletromagnética, a força fraca (responsável por
radioatividade) e a força forte (responsável pela estabilidade
do próton), mas o modelo padrão não descreve a quarta força,
a gravitacional. A "base" do modelo padrão é a teoria
quântica de força eletromagnética. Porque a teoria quântica de
eletromagnetismo já foi testada (e verificada com a incrível
precisão de um aparte em um bilhão), a base do modelo padrão, a
fraca e forte, são descritas usando generalizações dos conceitos
presentes na teoria quântica do eletromagnetismo. Embora alguns
aspectos do modelo padrão (ex: o "bóson de Higgs") ainda não
tenham sido verificados experimentalmente, a maioria dos físicos
acredita que a estrutura básica do modelo padrão descreve
corretamente a física subatômica. Posteriormente, se surgirem
discrepâncias entre o modelo padrão e experiências (ex:
neutrinos massivos), será possível fazer modificações (as
paredes e janelas do modelo) sem demolir o prédio.
 |
Uma propriedade essencial do modelo padrão é que
todas as partículas fundamentais (exs: elétron, fóton,
quark, etc) são objetos pontuais.Porque as forças
entre dus partículas depende inversamente da distância
ao quadrado entre elas, a força diverge para o infinito
quando duas partículas pontuais se aproximam.
Felizmente, no caso das três forças do modelo padrão,
este infinito é "curado" pelos efeitos quânticos. Mas
no caso da força gravitacional, o infinito persiste
ainda depois de incluir os efeitos quânticos. Por essa
razão não é possível incluir gravitaçãono modelo padrão
sem derrubar o edifício inteiro.
Mas nos anos 70 descobriu-se a possibilidade de as
partículas fundamentais serem ressonâncias de um objeto
unidimencional chamado uma "corda" fundamental. Esta
descoberta foi feita por acaso, investigando uma fórmula
para espalhamento de partículas e percebendo que a
fórmula somente faria sentido se as partículas fossem
interpretadas como ressonâncias de uma corda vibrando.
Cada ressonância deferente da corda corresponde a uma
partícula fundamental específica, da mesma maneira que
ressonâncias diferentes de uma corda de violino
correspondem a notas musicais diferentes.Investigando
as ressonâncias de uma corda fundamental, foi descoberto
que uma das ressonâncias descreve a partícula chamada
"gráviton", responsável pela força gravitacional. E
outras ressonâncias da corda descrevem partículas muito
semelhantes aos elétrons, fótons e quarks do modelo
padrão. Além disso, as interações de objetos
unidimencionais são mais suaves que as interações de
objetos pontuais, implicando que a força entre duas
cordas não diverge para o infinito quando elas se
aproximam. Então existe a possibilidade de que a teoria
de cordas unifique o modelo padrão com a gravitação, sem
enfrentar o problema dos infinitos quânticos. |
A teoria de cordas está sendo
"descoberta" e não "construída", então as propriedades da teoria
não podem ser ajustadas para coincidir com as propriedades
desejadas. Por exemplo, no caso em que os objetos fundamentais
sejam pontuais, não existem restrição sobre o número de
dimensões do espaço-tempo do Universo. Mas a relatividade
restrita proíbe que dois pontos distintos troquem informação com
velocidade superior á da luz, o que pode causar uma contradição
quando os dois pontos estão na mesma corda fundamental. Para
evitar essa contradição é necessário que as cordas vibrem em dez
dimensões (nove dimensões de espaço é uma de tempo) em vez do
quadro dimensões (três dimensões do espaço e uma do tempo), que
nos são familiares.
A exigência de dez dimensões
representaria um problema sério para a teoria, a menos que seis
das dimensões fossem pequeníssimas. É preciso lembrar que a
energia de uma onda de luz é inversamente proporcional ao
comprimento da onda, então, se as seis dimensões forem
pequeníssimas, seriam necessárias enormes quantidades de energia
para observá-las. A idéia de que nosso Universo possa ter mais
de quatro dimensões é antiga e, de fato, Einstein utilizou-a
para tentar unificar gravitação e eletromagnetismo. Existe a
possibilidade de que observações cosmológicas do Universo jovem
dêem informações se o Universo tem dimensões adicionais ou não.
Para a teoria de cordas conter
partículas semelhantes ás partículas do modelo padrão, estas
seis dimensões deveriam ser compactadas na forma de um espaço
"Calabi-Yau" (capa da edição Janeiro/2004).
Outra descoberta escavada nos
anos 80 é que os infinitos quânticos que dificultam a unificação
de gravitação com o modelo padrão são eliminados somente se a
teoria de cordas tiver uma característica chamada supersimetria.
As partículas da Natureza são divididas em dois tipos, bósons
(ex: o fóton e o bóson de Higgs) e férmions (ex: elétrons e
quarks) e a supersimetria implicaria uma relação entre as massas
dos bósons e as massas dos férmios. Embora ainda não exista
evidência direta de que Natureza tenha de fato esta simetria,
existem evidências indiretas disso. Em cinco anos deverão ser
iniciadas experiências num acelerador em Genebra que irão
procurar evidência direta de supersimetria. Se sua existência
for confirmada, aumentará a confiança de que a teoria de cordas
descreve corretamente a unificação de gravitação com o modelo
padrão.
Cordas e supersimetria são
chamadas supercordas. E as escavações dos anos 80 revelam cinco
tipos de supercordas que aparentemente são tesouros
independentes. Nos anos 90 foi descoberto que todos os cinco
tipos de supercordas estão relacionados entre si por meio de
simetrias chamadas "dualidades", então eles são cinco elementos
do mesmo tesouro. Dualidades são relações entre teorias
aparentemente diferentes, mas que descrevem a mesma física. Por
exemplo, uma dualidade descoberta relaciona uma supercorda
vibrando num espaço com tamanho 1/R. Essa dualidade se chama
"simetria espelho", e é discutida amplamente na entrevista a
seguir (a entrevista com Brian Greene é demasiadamente longa e
por isso não foi reproduzida aqui).
Adaptado por
Emiliano Chemello
echemell@ucs.br
SuperCordas, Em Busca da Teoria
Final - Victor O. Rivelles -Institudo de Química da USP. Revista
Ciência Hoje - CH 138
http://fma.if.usp.br/~rivelles/superstrings/sc1.html
Debate com o O físico Nathan Jacob
Berkovits, do Instituto de Física Teórica da Universidade
Estadual de São Paulo (IFT/Unesp), é um dos principais
pesquisadores no Brasil sobre a teoria das supercordas.
Berkovits participou, durante a semana de 5 a 9 de agosto, de um
debate virtual sobre supercordas ocorrido na lista de e-mails
sobre ciência
Ciencialist. Houve a
participação de membros da lista e pessoas convidadas, e foi
organizado por Luís Roberto Brudna, administrador da lista.
http://www.ifi.unicamp.br/~knobel/radar/newspro/fullnews.cgi?newsid1029531763,68625, |