Quanto tempo dura um segundo?
Einstein define a
relatividade para leigos
"Quanto você está
cortejando uma moça simpática,
uma hora parece um
segundo. Quando você se senta
sobre carvão em
brasa, um segundo parece uma
hora. isso é a
relatividade"
Fonte: Paul
Strathern - Einstein e a Relatividade em 90 min.
Editora Jorge Zahar
- 1998
Nos laboratórios, nas atividades
espaciais e nos campos esportivos luta-se por frações de
segundo. No comércio, contam-se os dias e as horas. No campo, as
colheitas e o plantio traduzem semanas, quinzenas e meses. Os
que estudam prendem-se a semestres. O ano a todos interessa. Os
sábios debruçam-se sobre os séculos, pesquisam os milênios,
revolvem as eras.
O conhecimento de que o Tempo existe e deve ser medido seria
bastante para sobrepor o homem ao animal. Há muitos milênios, as
impressões do meio ambiente deram ao homem a noção de obediência
a uma ordem superior, independente da sua vontade, indiferente à
destreza do seu braço, e maior, muito maior do que a sua
persistência!
Acima e por vezes contra os seus desejos e necessidades, a
noite ocultava o dia, o Sol afastava o sono, as marés montavam e
vazavam, as flores abriam e murchavam, as crianças tornavam-se
jovens e os adultos chegavam à decrepitude! Algo de poderoso,
incontrolável, eterno, impiedoso, governava o ciclo da vida
humana! Era preciso conhecer essa força ao mesmo tempo amiga e
adversa, palpável e invisível - o Tempo.
Mas o mesmo Tempo não era igual para todas as criaturas,
interessadas em conhecê-lo. Ao sofredor parece mais cruel e
longo do que ao satisfeito.
Logo entenderam que não poderiam
domar o Tempo com os seus recursos minguados. Nem poderiam pedir
que o fizessem as coisas mutáveis do seu mundo imperfeito: as
flores, os bandos de aves migradoras, os animais fugidios, a
água que subia e minguava nos rios e lagos, a primavera e o
inverno de chegada e duração irregulares. Muitos povos
primitivos e tribos segregadas em nossos dias registraram seus
fastos principais - "registro do inverno longo" – nas cascas de
árvores, nas pedras. Sabiam ser aquele um método falho. E não
havia coisa alguma de preciso, imutável? Nenhum movimento
uniforme, perpetuamente igual? Havia. Não na Terra, ao alcance
da mão, mas no céu: - os astros.
Os astros - E foi para os
astros que o homem se voltou a fim de pedir um processo, uma
medida para conhecer e controlar o Tempo. Os astros eram velhos
conhecidos. Já no livro sagrado Gênesis, 1-2, 4a, a descrição
prodigiosa do Hexaemeron, ou seja, a obra dos seis dias da
criação do mundo (hex - seis; hemera - dia: érgon - obra)
ensinava aos crentes que no quarto dia, ao criar três categorias
de astros (Sol, estrelas e Lua) Deus Ihes confiara três missões:
iluminar a Terra, distinguir o dia da noite e marcar as porções
de tempo. No Alcorão, bem mais próximo de nós, lemos que Alá
criou a Lua e apontou para as suas casas, para que os homens
pudessem conhecer o número dos anos e a medida do tempo". E
todos os povos primitivos contam o mesmo em seus livros sacros.
Dos astros vinham-lhe a luz e a treva, o frio e o calor, a
esperança e o medo. Deles viriam também os dias, as semanas, os
meses e os anos. Cada medida nascia por sua vez, com cálculos,
instrumentos e métodos próprios. Uma história diferente para
cada uma.
O dia e a noite - As
exigências da vida naqueles primeiros momentos da espécie não
eram muitas, embora fossem graves. Só o imediato valia: o comer,
o beber, o dormir, o ir e vir, a melhor ocasião para a pesca, o
momento em que os animais desciam aos bebedouros...
Desse modo, ligado tanto ao claro como ao escuro por tantos
interesses repetidamente sentidos e resolvidos, o homem
verificou que entre o mínimo de dois períodos de trevas mediava
um espaço c/aro dedicado ao trabalho, à caça, à vida exterior, e
entre dois períodos de luz um espaço escuro de sono, sustos,
medo, fronteiras quase da morte! Eram o dia e a noite.
É certo que, durante milênios, o homem se contentou com
separar a luz das trevas, o Sol da Lua. Dos mistérios de sua
origem, ele emprestou à noite uma população tenebrosa de coisas
e criaturas malfazejas. Das necessidades de sua carne e de seu
espírito cedeu ao dia as galas e as vitórias. Durante muito
tempo o homem amou o dia e receou a noite.
Por conseqüência, não só a vivência popular, mas as
entidades responsáveis - Governos e Igrejas Medievais, p. ex. -
reforçavam a crença de que tudo quanto se relacione com a Lua é
mutável enquanto a precisão, a regularidade são atributos do
universo do Sol. A Igreja Pré-medieval admitiu e mesmo adotou o
calendário lunar para a fixação das Festas Móveis. Entre estas,
a da Páscoa. Já o calendário solar ou Martirológico foi
utilizado para a datação das Festas Fixas e para o registro dos
sucessos consideráveis.
O dia - É base de todas as
medidas de tempo. Para alguns povos foi calculado de aurora a
aurora e para outros significava o espaço intercalado entre dois
crepúsculos vespertinos. É quase dos nossos tempos o dia legal e
geográfico, que principia à meia-noite. Para astrônomos e
navegantes, começa ao meio-dia.
Mas, no amanhecer do mundo, os nossos avós fizeram algo
importante: sem saber com o que lidavam, estabeleceram a duração
do movimento de rotação da Terra quando criaram o dia e a noite.
Isso é ainda o dia em linguagem moderna: o tempo que vai entre
duas passagens do Sol pelo mesmo meridiano. Isso também quer
dizer que o dia solar não é igual para todos os lugares e todas
as estações. De fato, varia, obrigando os sábios à criação do
chamado dia solar médio que é um remendo naquela diferença. Mas
a disciplina do universo é mais rígida do que quanto pôde criar
até agora o engenho humano. Portanto, nem com a criação do dia
solar médio se chegou a uma regularidade completa. Assim, quando
o Sol cruza o meridiano de um certo lugar, marca o meio-dia
nessa região. Quer isso dizer que nas regiões imediatamente
vizinhas são onze e treze horas respectivamente e assim por
diante. À frente do Sol ficam as horas da manhã e atrás dele as
horas da tarde.
A noite, sua divisão - Para
os primeiros homens a noite era o reinado do terror. O gênio do
mal dominava a escuridão o que obrigava o homem não pronunciar
certas palavras que pudessem chamar o maligno. Os gregos e os
romanos consideravam a noite como filha do caos. Mais ainda,
irmã e esposa de Ébero - a personificação das trevas infernais.
Seus filhos só mereceram do homem o horror e o medo: Moira (o
destino), Átropos (a morte), Hipnos (o sono), a Miséria, as
Parcas, as Hespérides, Nêmisis, Apaté (a fraude), a
Conduspiscência, a Velhice, a Discória.
O dia e a noite estavam, pois, dominados no seu andamento.
Nascem outras medidas: a hora, o minuto e o segundo. Ao fim de
quem sabe quanto tempo, o homem aventurou-se nos longes de sua
caverna e lançou-se a trabalhos sobre o mar, o deserto e as
montanhas. Esboçava a marcha com que deveria tomar posse de toda
a Terra. Foi quando percebeu que aquela primeira divisão do
tempo já não bastava. Conhecia os números, sabia dividir
quantidades, reconhecer sumariamente o caminho dos astros no
céu. Pretendeu separar mais exatamente as partes de luz e de
trevas, para conhecê-las e aproveitá-las melhor. A princípio,
usou o método de que dispunha: dividir em partes iguais aquelas
duas metades primitivas do tempo. Terá sido essa uma das
primeiras convenções adotadas pelo homem. Nenhum sinal ou
mudança no sol ou na Terra poderia justificar tal medida. Nem a
repetição ordenada de qualquer acidente ou ocorrência, como
sucede com o mês que se podia contar pelas fases da Lua ou com o
ano marcado pela volta da estação das flores.
De 12 em 12: a hora - O número 12 era dos prediletos do
homem primitivo. O 12 resultava de um produto do número divino
(3) e do número terreno (4). Daí ter sido ele a base da
numeração primitiva, a duodecimal, da qual herdamos a estranha
medida que é a dúzia. Doze eram geralmente as famílias bases de
uma tribo, os signos do Zodíaco. Doze, as partes em que
dividiram o dia e também a noite, pois dia e noite, para aqueles
homens, constituíam entidades diferentes, até mesmo antagônicas.
Divisões arbitrárias, iguais para o verão quanto para o inverno.
A cada uma dessas 12 partes chamaram hora.
Ao longo das Idades, ao designativo geral juntaram-se
apelidos locais ou profissionais. Os marinheiros, os pastores,
os montanheses criaram denominações para seu uso. A Igreja, em
época de profunda religiosidade, emprestou ao tempo civil a
divisão aproximada do tempo eclesiástico. Trata-se das horas
canônicas: matinas, noa, vésperas, etc.
Mais exigente mostrou-se a ciência afeta à mensuração do
tempo.
Distinguiu, precisamente:
Hora Sideral - Ou
astronômica. Vigésima quarta parte do dia sideral, isto é, do
tempo empregado por uma estrela no percorrer o seu círculo
diurno. Atribuindo -se a este 23 horas, 56 minutos, 40,091
segundos milésimos de tempo médio.
Hora Solar Verdadeira - A vigésima quarta parte do espaço
de tempo que flui entre duas passagens consecutivas do Sol pelo
meridiano do lugar. A hora solar é dada pelos quadrantes
solares.
Hora Solar Média - A hora indicada nos relógios. Espaço
de tempo correspondente à vigésima quarta parte do tempo que um
Sol fictício - denominado convencionalmente Sol Médio - gastaria
para reproduzir no equador o movimento médio do Sol Verdadeiro.
Sua duração é de cerca de quatro minutos mais longa do que a da
hora sideral. Não sendo porém constante essa diferença e
duração, impôs-se a ficção de um Sol a percorrer o equador em
velocidade e movimento uniformes ao tempo em que o Sol real
percorre a elíptica. Uma operação chamada Equação do Tempo
permite deduzir-se a hora solar verdadeira da hora média solar.
Fuso horário - A abençoada teimosia do homem em perseguir
a verdade e a perfeição, resultou na convenção dos fusos
horários. O globo terrestre foi dividido em 24 horas ou fusos,
valendo cada um deles 15°. No interior de cada fuso vigora uma
determinada hora legal. Antes dessa convenção, a hora legal dos
diferentes países era determinada pela da sua capital. Em 1911 a
Inglaterra, Alemanha, Portugal, Áustria, Hungria, Bélgica,
Dinamarca, Espanha, Itália, França, Noruega, Japão, Suécia,
Suíça, Turquia, Holanda, etc., aderiram ao sistema proposto dos
fusos horários. O ponto de partida aceito foi o meridiano de
Greenwich - famoso observatório astronômico nas proximidades de
Londres.
Dessa forma, segundo a posição relativa de um território e a
sua extensão no sentido leste-oeste, assim são determinados os
seus fusos horários e a sua hora legal. O Brasil, por exemplo,
possui terras em quatro fusos. Assim: Essa diversidade de hora
legal faz com que ao meio-dia de Londres corresponda a seguinte
marcação nos relógios de outros países e localidades:
Diferenças na Hora-Padrão no Mundo

História dos
Calendários
A palavra vem do latim
calandae, primeiro dia do mês romano, dia em que as contas
eram pagas. Calendário é um sistema de divisão e contagem do
tempo, ao qual se aplica um conjunto de regras baseadas na
Astronomia, associando dias em períodos maiores, como semana,
mês e ano.
EGÍPCIO - É o primeiro. Surge
em 3000 a.C. O ano tem 365 dias, 12 meses de 30 dias e cinco
dias extras, dedicados aos deuses. Os egípcios são os primeiros
a usar um calendário solar. O ano começava no momento em que
Sírius, a estrela mais brilhante do céu, aparecia no mesmo lugar
em que o Sol nascia. O fenômeno coincidia com a cheia do Nilo,
importante para a fertilização das terras. Havia três estações
de quatro meses: Inundações ou cheias (Akket), semeaduras (Pert)
e colheitas (Shemu).
BABILÔNICO - Compreende 12 meses lunares (divididos em
quatro semanas), de 29 ou 30 dias cada, cujo início é assinalado
pelo nascimento da Lua Nova. O ano tem 354 dias, 11 dias a menos
que o ano solar. Ao fim de três anos há uma defasagem de cerca
de um mês em relação ao ano solar. Para resolver essa diferença
foi acrescentado um mês complementar (13º mês) ao final de cada
período de três anos.
JUDAICO - De origem babilônica, adotado durante o
cativeiro dos judeus na Babilônia. Contato desde 3.761 a.C., o
que corresponde ao ano 1 da era judaica. O ano é contato de
setembro a setembro; 1996 corresponde a 5756. Ano composto de 12
ou 13 meses de 29 ou 30 dias alternados, iniciando sempre na Lua
Nova. O dia santificado é o sábado. Fundamenta-se ao relato
bíblico de Gênesis, segundo o qual Deus criou o mundo em seis
dias e descansou no sétimo. O dia inicia com o pôr-do-sol.
MUÇULMANO - Baseado no ano lunar de 354 dias, 355 dias
nos anos abundantes, com 12 meses de 29 ou 30 dias intercalados.
O mês começa quando o crescente lunar parece pela primeira vez
após o pôr-do-sol. Tem cerca de 11 dias a menos que o calendário
solar. Para ajustar a diferença, num ciclo de 30 anos, 11 amos
têm 355 dias e os outros, 354. O ano 1 é a data da Hégira, a
fuga de Maomé de Meca para Medina, em 16 de julho de 622. O dia
santo é a sexta.
MAIA - Maias e Astecas tinham um calendário religioso e
outro solar. O religioso compreende 260 dias, 13 meses de 20
dias. Cada dia tinha um nome: Ik, Akbal, Kan, Chicchan, Cimi,
Manik, Lamat, Muluc, Oc, Chuen, Eb, Ben, Ix, Men, Cib, Caban,
Eznab, Cauac, Ahan, Imix.
O calendário solar, de 365 dias, continha 18 meses de 20 dias e
um mês "nefasto" de cinco dias. Meses: Pop, Uo, Zip, Zots, Tzec,
Xul, Yexkin, Mol, Chen, Yax, Zac, Ceh, Mack, Kankin, Muan, Pax,
Kayab, Cumhu, e Uayeb.
HINDUS - Ano de 12 meses de 30 dias. Seis estações:
primavera, verão, chuvas, outono, inverno e orvalho. Ajustado ao
ano solar pela intercalação de um mês suplementar de cada cinco
anos.
GREGO - O mais difundido é o ateniense, formado de 12
meses de 29 (meses cavos) e 30 dias (meses plenos) alternados.
Ano de 354 dias, mais curtos cerca de 11 dias que o ano solar.
Para manter a coincidência dos meses lunares com o ano solar, os
atenienses intercalavam um 13º mês. Atenienses não conheciam a
semana, dividiam o mês em três dezenas.
ROMANOS - Houve vários. O primeiro foi criado por Rômulo em
753 a.C., ano de fundação de Roma, baseado no calendário
egípcio. O ano tem 304 dias, divididos em dez meses lunares,
seis de 30 dias e quatro de 31. Inicia em 1º de março. O
calendário não concorda com o ano solar, nem com o lunar. Adota
a meia-noite para o início do dia. O imperador Júlio Cesar
reformou esse calendário com a ajuda do astrônomo Sosígenes em
708 da fundação de Roma (46 a.C.). É o calendário Juliano.
Estabeleceu o ano de 365 dias e, para ajustar-se com o ano solar
(365,25 ou 365 dias e 6 horas), acrescentou um dia a cada quatro
anos em fevereiro, último mês do calendário romano. Este ano de
366 dias o nome de ano bissexto.
GREGORIANO - Ordenado em 1º de janeiro de 1582 pelo Papa
Gregório XIII. A Igreja teria interesse me arrumar o calendário
para determinar corretamente a data da Páscoa (móvel). É um
ajuste no calendário juliano, que tinha acumulado uma diferença
de dez dias em relação ao ano solar. Gregório XIII tirou dez
dias do ano, corrigindo o calendário juliano. Conservou um ano
bissexto a cada quatro anos e determinou que não fossem
bissextos os anos seculares (que terminam em dois zeros, ou
seja, o último ano de cada século), exceto aqueles que são
divisíveis por 400. Com isso retirava-se um dia a cada 100 anos
e adicionava-se um dia a cada 400 anos. Curiosidade: dividindo
365 por 7 sobra 1; por isso todo ano não-bissexto começa e acaba
no mesmo dia da semana. O calendário é quase universal. Mesmo
países não-cristãos o adotam para uso civil, mantendo o outro
para fins religiosos.
A história dos
relógios
Os meios de conservação e disseminação do tempo, sofreram ao
longo dos séculos uma grande evolução, marcada pelo
aperfeiçoamento constante de vários dispositivos bastante
engenhosos e singulares em sua evolução.
Partindo-se do Sol como referência natural em função dos
dias e das noites, os relógios de Sol foram acompanhados por
outros que utilizavam o escoar de líquidos, areia ou a queima de
fluidos, até se chegar aos dispositivos mecânicos que originaram
os pêndulos.
Com a eletrônica e a descoberta do efeito piezelétrico, os
relógios de quartzo passaram a servir como padrões, evoluindo
posteriormente até os atuais padrões de Césio e Maser de
Hidrogênio.
Em paralelo, a referência da rotação do nosso planeta também
deixou de ser confiável e embora sua translação ainda seja
utilizada como referência para o Tempo das Efemérides, é nos
"Pulsar", estrelas de nêutrons com pulsações bastantes
regulares, que o homem busca agora, uma referência estável que
seja imune às variações de diversas origens observadas no
interior do Sistema Solar.
Em nosso País, desde o início de suas atividades no tempo do
Império e a partir de 1913, através de uma lei específica, o
Serviço da Hora do Observatório Nacional, vem gerando,
conservando e disseminando a Hora Legal Brasileira, seja por
meios próprios ou através de emissoras de Rádio, TV e da
EMBRATEL, a todo o território nacional com diferentes níveis de
exatidão e confiabilidades. O atual sistema, com emissão
centralizada no Rio de Janeiro poderá ser aperfeiçoado e
expandido, beneficiando toda a comunidade usuária com as
transmissões passando a provir de uma nova estação emissora em
Brasília, sem que sejam extintos os trabalhos já existentes nos
locais atuais.
Relógios: Uma
Evolução Marcada com o Tempo
A história dos relógios acompanha, efetivamente, a própria
história da civilização. Iniciando-se por volta de 5000 anos
passados registra a evolução do homem em seu progresso através
dos tempos até os nossos dias.
Iniciada a pouco mais de um século, a industrialização dos
relógios é relativamente recente. Na atualidade é uma das
indústrias mais evoluídas do nosso planeta, sendo produzidos em
todo o mundo cerca de 250 milhões de unidades anualmente. Isto
sem dúvida porque a medição do tempo foi, é, e certamente
continuará a ser uma preocupação permanente.
Cronologia dos
Relógios
Século XXXI aC
3000 a.C. - Relógio de Sol. Surge o primeiro Gnomon. (Fig. 1)

Fig. 1 - Relógio de Sol (Gnomon), no
campo de Marte em Roma, imperador Augusto, 27 a.C.
Século XVI a.C.
1500 a.C. - Inscrição funerária egípcia menciona uma clepsidra,
relógio de água, construída para o rei Amenophis I. (Fig. 2)

Fig. 2 - Relógio de água, Clepsidra,
um dos mais primitivos
Século X aC
950 a.C. - Homero menciona em suas obras os períodos do dia e do
ano solar.
Século VII aC
600 a.C. - Referência a um relógio de sol, chamado "pedra
horária", construído na Babilônia, por Beroso.
Século V aC
430 a.C. - Na Grécia começa a ser usada a clepsidra.
Século III aC
287 a.C. - Arquimedes inventa as rodas dentadas.
Século II aC
157 a.C. - Roma conhece a clepsidra, levada por Scipião Násica.
Século I aC
27 a.C. - É erigido no Campo de Marte, em Roma, um obelisco com
a função de Gnomon.
Século III
250 - d.C. Surgem referências aos primeiros relógios de areia,
ampulhetas.
Século VIII
721 - Y. Hang, astrônomo chinês, constrói uma clepsidra mecânica
que indicava o movimento dos astros.
Século IX
885 - Alfredo o Grande usa velas para medir o tempo.
Século XI
1090 - O chinês Su-Sung publica um tratado sobre relógios de
torre, movidos a água.
Século XIII
1251 - O arquiteto Villard desenha um escapamento de relógio.
1292 - É construído o relógio da catedral de Canterbury.
Século XIV
1330 -O abade Ricardo de Walingfard constrói o relógio
astronômico de Santo Albano.
1380 - Surgem na península itálica os primeiros relógios
domésticos.
Século XV
1459 - A fita de aço é pela primeira vez aplicada nos relógios
como elemento motor, a mola.
1500 - Pedro Henlein, de Nuremberd inventa um relógio portátil.
Século XVI
1525 - O caracol é inventado por Jacob Zech, de Praga.
1530 - Começam a ser usadas platinas de latão nos relógios
portáteis.
1549 - Os portugueses introduzem no Japão os relógios mecânicos.
1560 - Surge a corrente do caracol, que substitui o fio de
tripa.
1570 - Inicia-se a aplicação das figuras animadas na relojoaria.
1582 - Galileu Galilei descobre o isosincronismo das oscilações
do pêndulo.
1585 - Jost Burgi constrói um relógio com corda para três meses.
1587 - Começa em Genebra, Suíça, a fabricação de relógios.
1600 - Generaliza-se a produção e uso de relógios portáteis, que
tomam as mais variadas formas.
Século XVII
1610 - Inicia-se o uso dos vidros de proteção sobre os
mostradores e ponteiros dos relógios portáteis.
1640 - Galileu Galilei, com 76 anos e cego, dita a seu filho e a
seu aluno Viviani todos os detalhes que permitiram a estes
desenhar o célebre relógio de Galileu, provido de um pêndulo e
um escapamento livre.
1650 - Christian Huygens planeja a aplicação do pêndulo nos
relógio.
1657 - É construído o primeiro relógio a pêndulo pelo relojoeiro
Salomão Coster, de Haia.
1670 - O ponteiro de minutos começa a ser aplicado.
1675 - Christian Huygens inventa a espiral de aço, cabelo, para
relógios de bolso, substituindo a cerda de porco.
1676 - Quare e Barlow criam a soneria de repetição, batendo
horas e quartos, pela pressão do suporte da argola, nos relógios
portáteis.
1700 - Surgem neste século os primeiros relógios de azeite.
Século XVIII
1704 - Nicolas Fatio é o primeiro a produzir e usar nos relógios
rubis perfurados como mancais.
1714 - O parlamento inglês oferece um prêmio para o construtor
de um relógio que permitisse melhor determinação da longitude no
mar.
1726 - George Graham inventa o pêndulo com compensação a
mercúrio.
1730 - O primeiro relógio Cuco é fabricado na Floresta Negra.
1748 - Pierre Le Roy apresenta à Academia de Ciências de Paris
um escapamento livre.
1751 - É fabricado em Paris, por Le Plat, um relógio que carrega
sua corda, com variações da pressão atmosférica.
1759 - Thomas Mudge inventa o escape a âncora para relógios
portáteis, ainda usado em nossos dias, com algumas alterações,
em todos os modernos relógios de pulso à corda.
1761 - John Harrison, com o seu cronômetro de marinha número
quatro, resolve o problema das longitudes no mar e recebe do
governo inglês uma parte do prêmio de 20 mil libras.
1761 - Pela primeira vez é usado o termo cronômetro por Pierre
Le Roy.
1765 - Surge o ponteiro central de segundos.
1775 - John Arnold inventa o cabelo helicoidal, para
cronômetros.
1790 - Abraham Louis Breguet melhora e introduz inovações
importantes nos relógios de bolso, tais como corda automática,
sistema a prova de choque, etc..
1800 - É inventada a pilha elétrica, por Alexandre Volta.
Século XIX
1830 - Pela primeira vez um pêndulo é acionado pela eletricidade
pelo físico Zamboni, de Verona.
1840 - Lord Grimthorpe inventa o escape à gravidade, concebido
especialmente para o Big-Ben de Londres.
1842 - Adrien Philippe inicia a fabricação de seus relógios de
bolso, com corda pela coroa.
1856 - Louis Clement François Breguet idealiza um dispositivo
eletromagnético, para carregar a corda dos relógios.
1865 - George Fréderic Roskopf inventa o escapamento econômico,
com âncoras de pinos.
1880 - O casal Curie descobre as qualidades piezo-elétricas do
cristal de quartzo.
1884 - O meridiano de Greenwich é aceito internacionalmente como
o ponto inicial na escala dos meridianos para o cálculo das
longitudes.
1884 - Thomas Alva Edison descobre a emissão termoiônica, efeito
de Edison, que permitiu a criação da válvula eletrônica.
1891 - Sigismundo Riefler inventa um escapamento para pêndulo de
Observatórios.
1900 - Inicia-se o uso dos relógios de pulso.
Século XX
1912 - Primeira Conferência Internacional da Hora em Paris: -
unificação dos sinais horários por rádio. Uso universal do
Greenwich-Mean Time.
1914 - John Harwood patenteia um dispositivo de corda
automática, adaptado para os relógios de pulso.
1918 - H. E. Warren realiza o primeiro motor elétrico síncrono,
para relógios.
1928 - A IAU recomenda a designação "Universal Time" para o dia
solar médio em Greenwich contado a partir de meia-noite.
1930 - Warren A. Morrison constrói o primeiro relógio a cristal
de quartzo.
1935 - Comparações entre observações astronômicas e os relógios
de quartzo em Postdam indicaram variações irregulares e
imprevisíveis na rotação da Terra.
1941 - É fundado em São Paulo o Instituto Brasileiro de
Relojoaria.
1942 - I. I. Rabi inicia as pesquisas relacionadas ao núcleo dos
átomos, o que levará ao relógio atômico.
1948 - Surge experimentalmente o primeiro transistor, devido aos
trabalhos de Willian Shochley.
1948 - O primeiro relógio atômico é construído no "National
Bureau of Standard", EUA.
1948 - Pesquisas sobre relógios, comandados por sinais de rádio,
são iniciadas no Brasil, por Dimas de Melo Pimenta.
1950 - Introdução da escala de tempo das Efemérides (ET).
1955 - Charles H. Townes orienta a construção do relógio atômico
de Maser. (Fig.11)
1956 - J.R. Zacharias e R.T. Daly, apresentam o primeiro relógio
atômico comercial.
1957 - Max Hetzel, da fábrica Hamilton dos EUA, apresenta o
primeiro relógio de pulso eletrônico.
1958 -O Laboratório de Pesquisas Relojoeiras, de Neuchatel,
constrói o primeiro relógio atômico suíço.
1958 - P. Bender do NBS (EUA), desenvolve técnica que permite
mais tarde a construção de padrões atômicos de rubídio.
1959 - A fábrica Dimep do Brasil inicia as pesquisas para a
fabricação de relógios a quartzo no Brasil.
1960 - As forças armadas americanas concebem o projeto para o
sistema GPS de navegação que como subproduto permite a
disseminação de tempo e freqüência no mundo inteiro, com grande
precisão.
1967 - Aparecem no mercado mundial os primeiros relógios de
pulso a quartzo, com mostradores e ponteiros convencionais.
1967 - A 13a Conferência Geral de Pesos e Medidas (CGPM), passou
a considerar o padrão de Césio, como base para a definição da
unidade de tempo (segundo).
1969 - Criada a escala de Tempo Atômico Internacional(TAI).
1970 - Começa a funcionar no Brasil, no Observatório Nacional, o
1° Padrão Atômico de Césio.
1972 - Começa a ser comercializado nos EUA os relógios de pulso
com mostrador digital de LED.
1972 - O novo sistema de Tempo Universal Coordenado (UTC),
baseado nos padrões atômicos, passou a vigorar à partir de 1° de
janeiro.
1973 - Aprovação do sistema GPS.
1974 - Chega ao Observatório Nacional, o 1° Padrão Atômico de
Rubídio.
1978 - Lançamento do primeiro dos 18 satélites que comporão o
sistema.
1983 - Lançamento do oitavo satélite do sistema GPS.
1985 - Lançamento do décimo primeiro satélite do sistema GPS.
1987 - A fábrica de automóveis GM nos EUA planeja ter em seus
automóveis receptores para o GPS.
1996 - Instalados no Observatório Nacional, 2 Masers de
Hidrogênio da Marca KVARZ, os primeiros do Hemisfério Sul.
1997 - Instalados no Observatório Nacional, dois padrões de
Césio HP5071A, os mais modernos da atualidade.
Dia Solar
Verdadeiro - Dia Solar Médio
O relógio de Sol baseia-se no aparente movimento do Sol pela
abóbada celeste e na conseqüente deslocação da sombra projetada
sobre uma superfície plana ou curva, de um corpo iluminado por
esse astro. Primitivamente esses relógios eram bastante
rudimentares, porém, de certa época para cá, receberam muitos
aperfeiçoamentos, obedecendo sua construção à Geometria
Descritiva.
É um instrumento destinado a determinar as horas do dia pelo
movimento da sombra de uma haste ou outro objeto, produzida
pelos raios solares, podendo ser fixo ou portátil. Podem ainda
ser horizontais, verticais, inclinados, cilíndricos, esféricos
ou cruzados, sendo que os modelos mais em uso foram os verticais
e horizontais.
Nos relógios de Sol horizontais, verticais e inclinados,
normalmente os quadrantes são planos; nos cilíndricos, como o
próprio nome indica, as horas são assinaladas sobre um cilindro,
nos esféricos em uma esfera, e os cruzados por meio de uma cruz.
Os relógios solares na realidade não marcam as horas de
forma idêntica aos relógios mecânicos; estes dividem o dia
exatamente em 24 horas, cada hora em 60 minutos e cada minuto em
60 segundos; é uma divisão calculada pelo homem e o período
representado por 24 horas, de um relógio mecânico, corresponde a
um dia solar médio. Os relógios de Sol, muito embora marquem as
horas aproximadamente às dos relógios mecânicos, raramente
coincidem com estes, visto que assinalam as horas
correspondentes ao dia solar verdadeiro. Vejamos agora qual é a
diferença existente entre o dia solar médio e o dia solar
verdadeiro. Denomina-se dia solar verdadeiro o tempo que o globo
terrestre demora em dar uma volta sobre seu próprio eixo,
tomando-se como ponto de referência o Sol. Sucede que, enquanto
a Terra gira em redor de seu eixo, percorre também uma parte de
sua órbita de translação ao redor do Sol - a Terra, portanto, ao
girar sobre seu eixo, avança pelo espaço sideral, ou seja, tem
dois movimentos: o de rotação e o de translação.
Se os dois movimentos da Terra fossem regulares, os dias solares
teriam sempre a mesma duração, porém a órbita da Terra ao redor
do Sol não é uma circunferência mas sim uma elipse e isto faz
com que o movimento da Terra não seja regido pela lei do
movimento uniforme, mas sim pela lei das áreas ou leis de
Kepler, uma vez que foram elas descobertas pelo célebre
astrônomo alemão Kepler e enunciadas por ele em 1609; segundo
essas leis, os astros, em tempos iguais, não percorrem espaços
iguais, mas sim áreas iguais. Por esse motivo é que os dias de
inverno e verão apresentam uma diferença em sua duração.
Se compararmos as horas de um relógio de Sol em relação aos
relógios mecânicos, observaremos que o meio-dia solar oscila
durante as diversas estações do ano, sendo isso ocasionado pela
aparente variação do movimento do Sol pela abóbada celeste,
decorrente do movimento de translação elíptica da Terra.
Os relógios mecânicos, devido ao cálculo de suas
engrenagens, marcam um tempo sempre regular ou seja o tempo
médio, que é a média anual de todas as variações do tempo solar.
Assim, nestes relógios os dias têm sempre o mesmo número de
horas, não apresentando nenhuma diferença de um dia para outro
durante todo o ano, pois medem o dia solar médio, que é o tempo
em que a Terra levaria para dar uma volta sobre seu eixo,
tomando como ponto de referência o Sol, se seu movimento de
translação ao redor desse astro fosse rigorosamente uniforme em
todas as épocas do ano, isto é, se sua translação ao redor do
sol seguisse não uma elipse, mas uma circunferência.
Até fins do século XVIII, e mesmo princípios do século
passado, muitas obras foram escritas sobre a construção de
relógios de Sol. Uma delas, contendo 260 páginas, intitulado "Horographia
sive Horologiorum descriptio", de autoria de Ionnis Baptistae
Cora, de 1697, nos mostra com que seriedade e profundidade era
tratada a "ciência da Horologia solar". E note-se, isto numa
época em que os relógios mecânicos estavam plenamente
difundidos, já se fabricando até mesmo relógios pequenos de
bolso e a lei do pêndulo, havia mais de 100 anos, tinha sido
descoberta por Galileu Galilei.
Relógio de sol
Foi a partir da observação de fenômenos que se repetiam em
ciclos constantes e leis imutáveis que guiavam os astros, que
apareceram os primeiros astrônomos e por certo foram eles os
primeiros homens a se preocuparem com a medição do tempo. A
ciência de medir o tempo ligou-se de uma forma lógica à
astronomia, que atraiu, nas primeiras civilizações, os homens de
ciência mais proeminentes. Desse modo Astrônomos, Físicos,
Matemáticos, Sacerdotes, Médicos e Filosóficos se preocuparam
com a criação de instrumentos que pudessem assinalar o
transcorrer do tempo. Primitivamente, o homem passou a dividir o
tempo em noite e dia. O passo seguinte foi o fracionamento do
período diurno em certo número de partes, que podemos chamar de
horas, e isto foi possível graças à movimentação da sombra dos
corpos iluminados pelo Sol.

Figura 3 - Relógio de Sol
Relógio de água
Os relógios de Sol já não satisfaziam mais as necessidades
do homem devido ao seu funcionamento restrito. A necessidade
absoluta da presença dos raios solares para que esses relógios
indicassem as horas, os tornavam limitados. Durante a noite e
nos dias nublados, o relógio não tinha serventia. Isto obrigou o
homem a procurar novos caminhos que o permitissem ser, o senhor
do tempo. Para isso aperfeiçoou as suas técnicas usufruindo de
uma outra força natural perene: a água. O escoamento do um
líquido de um reservatório com um pequeno orifício na base, de
um nível superior para um inferior, e a regularidade da
"transfusão" do líquido para outro recipiente, deu ao homem o
princípio que lhe permitiu construir uma nova classe de medidor
de tempo. O Relógio hidráulico foi o primeiro nome dado a esses
novos instrumentos. Depois, ao serem conhecidos pelos gregos,
receberam o nome de Clepsidra. Há historiadores que apresentem
Platão como o autor da mais antiga Clepsidra, isto por volta de
400 a.C.

Figura 4 - Relógio de água
Relógio de Areia
A criação da ampulheta, também chamada relógio de areia, foi
sem dúvida uma decorrência natural da necessidade que o homem
teve de possuir um aparelho transportável para a medição do
tempo. O desenvolvimento da fabricação do vidro, alguns séculos
antes do início da era cristã, provavelmente gerou a idéia da
criação de uma clepsidra transportável, toda fechada, à prova de
vazamento, certamente construída, como era tradicional, por dois
vasos um em sentido superior ao outro e ligados internamente por
um orifício por onde a água escoasse. Daí internamente por um
orifício por onde a água escoasse. Daí a substituição da água
pela areia e desenvolvimento do desenho da ampulheta, como hoje
a conhecemos, terá sido um passo natural, uma vez que a areia,
construída de partículas sólidas, sem dúvida se apresentava como
o material ideal para esse fim devido à sua mobilidade e
estabilidade elevada em relação à água das clepsidras. Os
períodos de tempo registrados pela ampulheta apresentavam uma
precisão relativa, considerada razoável para determinados fins.
Ela foi empregada especialmente quando se tratava de medições de
curta duração, uma vez que sua pouca precisão não permitia
observações de maior amplitude. Tinha no entanto características
importantes e valiosas: era facilmente transportável e seu
manejo muito simples, podendo ser usada em qualquer lugar com
muita comodidade.

Figura 5 - Relógio de areia -
(ampulheta)
Relógio de Fogo
Diversos tipos de medidores de tempo surgiram ao longo dos
séculos. Do primeiro relógio de sol aos mais modernos relógios
eletrônicos, são inúmeros os modelos curiosos que intermeiam a
história dos marcadores do tempo. A exemplo da clepsidra, onde a
água, baixando de nível em um recipiente pelo gotejar, marcava
as horas que passavam, o Relógio de Azeite também se baseia
nesse mesmo princípio. Porém, o líquido - azeite - baixa de
nível ao ser consumido por combustão. A similaridade existe,
apenas diferindo na maneira de como o líquido decresce em seu
depósito. Esse relógio de azeite era construído a partir de uma
lamparina de estranho, com um depósito de cristal ou de
porcelana translúcida, que continha o azeite. A lamparina, do
tipo sem mecha, funcionava como uma lâmpada comum de azeite e
era alimentada pelo óleo do depósito, o qual possuía um tubo de
aspiração; com a queima do azeite na lamparina, o nível deste
abaixava no depósito permitindo constatar-se a descida contínua
do líquido. Na parte externa do depósito, em sentido vertical,
havia uma faixa graduada, marcada com algarismos romanos, que
representavam as horas. Com a lamparina acesa, o nível do óleo
decrescendo no depósito assinalava as horas. Estes relógios eram
usados, principalmente, no período noturno, uma vez que a
lamparina servia para iluminar o ambiente e o depósito
devidamente demarcado assinalava a hora. Os relógios de azeite
apresentavam uma relativa precisão de funcionamento, considerada
razoavelmente boa para a época.
Relógio Mecânico
É atribuída ao povo chinês a primazia na criação de um
escape mecânico. O seu inventor seria o monge budista, notável
matemático e astrônomo de seu tempo I-Hsing (682-727).
Presume-se que o aparecimento de relógios totalmente mecânicos,
tenha sido na Europa ao final do século XIII. O relógio mecânico
de pesos deriva da clepsidra (relógio hidráulico), com
mecanismos de engrenagens, que, provavelmente, sejam dotadas de
algum elemento regulador que contenha o movimento do sistema,
mantendo sua rotação dentro de um ritmo simétrico. A tão
decantada engenhosidade do homem foi posta à prova quando se
concluiu que, para construir um relógio essencialmente mecânico,
precisava-se contar um elemento regulável que contivesse o
andamento das suas engrenagens, mantendo-as dentro de uma
rotação tal, que permitisse fazer girar a última roda do trem de
engrenagens, tão vagarosa e regularmente, que propiciasse, com
segurança, a contagem de um razoável espaço de tempo. Era fácil
regular o escape da água de uma clepsidra: bastava aumentar ou
diminuir o orifício onde escoava o líquido. Mas, ao tentar criar
um escape mecânico, o homem sentiu a magnitude de um problema
simples, mas que demorou vários séculos para ser desvendado.
O escapamento, como regulador da marcha dos relógios
mecânicos, foi o órgão que permitiu o invento desses relógios,
já que as engrenagens já eram conhecidas há tempo, tal como o
movimento de um conjunto de engrenagens por meio de um peso. Os
relógio mecânicos, desde o início até fins da Idade Média
(1300-1450), empolgaram de tal forma o homem, que foram
considerados como símbolos do equilíbrio, da sabedoria e da
virtude, Boa parte dos relógios construídos nesse período, e
mesmo posteriormente, apresentavam figuras e desenhos alusivos a
esse nobres qualidades que o homem deveria possuir; isto quando
não se referiam diretamente à inexorabilidade do escoar do
tempo, como é o caso do relógio da catedral de Estrasburgo.
O relógio de peso foi o primeiro dos relógios mecânicos. Os
relógios de pesos eram muito altos, e estavam encerrados numa
caixa com uma janela por onde se via oscilar o pêndulo. Não
tinha máquina, mas apenas um peso ligado a uma corrente,
enrolada em volta de um cilindro. Pela força da gravidade, o
peso ia fazendo girar lentamente o cilindro, que transmitia seu
movimento aos ponteiros. Como nos atuais relógios de pêndulo,
esse movimento era sincronizado por um regulador.

Figura 6 - Relógio de pesos
 |
Uma
das grandes paixões de Christian Huygens, famoso
sábio holandês, eram os relógios. Apesar de ter
construído relógios relativamente perfeitos para a
época, não podia evitar que adiantassem ou
atrasassem, em média, uma ou duas horas por dia. Em
1657, Huygens finalmente conseguiu resolver esse
problema, adaptando aos relógios o pêndulo vertical,
cujas leis Galileu enunciara havia pouco tempo. O
pêndulo passou a funcionar como um balancim, que
sincronizava o movimento do relógio.
O pêndulo tinha na extremidade um peso, que
podia ser levantado ou abaixado por meio de um
parafuso. Com isso, diminuía ou aumentava o
comprimento do pêndulo, e por conseqüência,
acelerava ou retardava o tempo de cada oscilação.
Nos relógios de pulso e cronômetros, a máquina é
constituída por uma mola, uma lâmina de aço
enrolada, cuja extremidade exterior é presa a um
ponto fixo, enquanto a interior está ligada a um
eixo. Quando se faz girar o eixo, isto é, quando se
dá corda, a mola enrola-se. Esta, ao desenrolar-se,
faz mover os ponteiros. Os relógios pequenos não têm
pêndulo, mas uma mola em espiral, chamada roda de
balanço, também inventada por Huygens.
Uma peça importante, que existe em todos os
relógios, é o escape, fixo por uma extremidade ao
regulador, e por outra à máquina. Sua função é
transformar o movimento da máquina, que é contínuo e
sempre no mesmo sentido, em movimento alternado do
regulador ou da roda de balanço.
Este dispositivo deixa escapar um dente da roda de
cada vez, e daí lhe veio o nome. Devido a sua forma
especial a roda de balanço transmite um movimento
oscilatório ao regulador, que alterna cada vez que
um dente escapa.
|
Fig. 7 – Esquema de um
relógio de pêndulo com seus elementos construtivos. |
Relógio Elétrico
Poderá parecer, à primeira vista, que os relógios elétricos
são frutos de um trabalho relativamente recente, uma vez que a
própria eletricidade teve sua grande expansão neste século. Isso
porém, não sucede. A ciência da medição do tempo, sempre
presente durante toda a evolução humana, é talvez uma das que
mais cedo se ligaram à eletricidade. A eletricidade foi aplicada
com resultados positivos à relojoaria, pela primeira vez, no ano
de 1830, pelo físico Zamboni, de Verona, que comunicou sua
invenção em 1832. Nessa época, um pêndulo, em experiência, foi
posto a funcionar pela eletricidade, que se tornou desde então,
mais um elemento motor com que a relojoaria passaria a contar.
A principal vantagem do relógio elétrico é que não há
necessidade de lhe dar corda. É constituído por uma roda de
balanço, acionada por um eletroímã, alimentado por pilhas ou por
corrente alternada. A corrente é interrompida periodicamente, a
cada oscilação, por um contato que liga a roda de balanço. Em
vez da roda de balanço ser impulsionada pela máquina do relógio,
aqui dá-se ao contrário: a roda de balanço é que faz mover as
engrenagens. Há diversos tipos de relógios elétricos. Alguns tem
corda, como os relógios comuns, que é enrolada eletricamente.
Outros funcionam, simultaneamente, com corrente alternada e com
pilhas.
Relógio Eletrônico
A válvula termoiônica ou eletrônica, como é mais conhecida,
deve-se às pesquisas de Du Fay em 1733, De Becquerell em 1853 e,
principalmente, aos trabalhos de Edison, que o levaram, em 1884,
à descoberta da emissão termoiônica, a que se deu o nome de
“efeito de Edison”. Essa válvula de dois eletrodos só pode ser
usada na prática quando Lee de Forest, 1907, introduziu-lhe um
novo elemento e a aplicou com êxito nas transmissões de
telegrafia sem fios. A partir dessa data, a eletrônica se
desenvolveu e, já em 1930, foi construído o primeiro relógio a
cristal de quartzo, por Morrison, nos laboratórios da Bell
Telephone, Nova York. Esses relógios, assim como todos os outros
construídos até o advento do transistor, eram enormes e
complexos conjuntos de válvulas eletrônicas, exclusivamente
destinados a laboratórios de pesquisas ou observatórios
astronômicos.
Relógios de quartzo.
A evolução da humanidade exige
constantemente maior precisão no controle de tempo, no entanto,
ainda hoje é muito comum ser necessário acertarem-se os relógios
uma ou mais vezes por mês. Por este motivo, nos anos mais
recentes a indústria relojoeira tem mostrado profundo interesse
na obtenção de novos meios de melhorar a precisão na marcação do
tempo, e encontrou no cristal de quartzo um padrão excepcional
para esse fim.
O cristal de quartzo começou então ser adotado também na
produção de relógios de pulso. Pelos progressos tecnológicos
alcançados neste campo, os relógios com cristais de quartzo
dominariam uma parte considerável do mercado.
Cartier e Santos-Dumont
Em 19 de outubro de 1901, Santos-Dumont ganhou o prêmio
Deutsch de la Meurthe depois de haver pilotado seu dirigível Nº6
desde Parque de Saint Cloud até a torre Eiffel, fazendo o
percurso de ida e volta em pouco mais de trinta minutos. Esta
proeza foi celebrada, naquela mesma noite, no elegante
restaurante Maxim's.
Entre os convidados encontrava-se Louis Cartier, grande
amigo do célebre pioneiro da aviação. Na ocasião Santos-Dumont
queixou-se a Cartier da dificuldade de consultar seu relógio de
bolso a fim de marcar a duração exata de seus vôos. Louis
Cartier pôs as mãos à obra e, em março de 1904, o resultado foi
um relógio de pulso com uma correia de couro e fivela para
prendê-lo. Santos-Dumont jamais voltou a voar sem seu relógio de
pulso.O relógio Santos foi oficialmente apresentado e, 20 de
outubro de 1979 no Museu de Arte de Paris, junto ao Demoiselle
1908, o último aeroplano construido por Santos-Dumont. Em 2001,
uma série limitada do relógio Santos foi apresentada à América
Latina e Caribe como uma interpretação contemporânea do original
desenho de Cartier, em 1904.
Relógios Atômicos de Césio

Fig. 8 - Referência nacional de
tempo e freqüência
O Padrão Primário acima, instalado
dentro de uma cabine blindada no Observatório Nacional, serve de
referência para os demais padrões existentes no Brasil. Ele é o
primeiro elo de uma corrente metrológica que passa por
laboratórios de centros de pesquisa, de industrias até chegar ao
dia a dia da população, pois o Tempo e Freqüência estão
presentes nos: taxímetros, medidores de consumo de energia
elétrica, fornos de microondas, relógios de pulso, relógios de
ponto, relógios de estacionamento de autos, velocímetros de
autos, radares que monitoram velocidade de autos, cronômetros
utilizados em competições esportivas, etc.
Unidades de Medida
Grafia dos nomes das unidades:
Quando escritos por extenso, os nomes das unidades começam
por letra minúscula, mesmo no caso em que lembram nomes próprios
de cientistas.
Exemplos: newton, kelvin,
pascal, etc.
Faz exceção a esta regra o nome da unidade de temperatura
denominada “graus Celsius”, escrito com C maiúsculo.
Plural de nomes de unidades:
Ao serem escritos ou pronunciados por extenso, os nomes das
unidades no plural recebem a letra “s” no final das palavras que
a designam, mesmo contrariando as regras gramaticais.Exemplos:
metros, quilogramas, farads, kelvins, mols, pascals, etc.
Constituem exceções a esta regra os nomes ou partes dos
nomes que terminam pelas letras “s”, “x” e “z”, iguais no
singular e plural. Exemplos: siemes, lux, hertz, etc.
Grafia dos símbolos de unidades e prefixos:
Os símbolos das unidades são grafados em caracteres romanos
verticais minúsculos, a não ser quando derivam de nomes
próprios, caso em que, para representá-los, a primeira letra
desses nomes (muitas vezes a única) é grafada como
maiúscula.Exemplos: m (metros), kg (quilograma), K (kelvin),
W(watt), Wb (weber), H (henry), Hz (hertz), etc.
Faz exceção a esta regra, o símbolo de “ohm”, unidade de
resistência elétrica que é representada pela letra grega “”
(ômega maiúsculo).
Os símbolos são invariáveis, não admitem plural, ponto,
letra ou índice depois de sua grafia.
Ao escrever as medidas de tempo, observe o uso correto dos
símbolos para hora, minuto e segundo.

Padrão de Tempo (s)
O Sistema Internacional de unidades, ratificado pela 11ª
CGPM/1960 e atualizado até a 20ª CGPM/1995, compreende sete
unidades de base e outras unidades derivadas. As sete unidades
de base são: ampère, candela, quilograma, kelvin, mol, metro e
segundo.
Em Outubro de 1967 na 13ª CONFERÊNCIA GERAL DE PESOS E
MEDIDAS, o segundo foi definido como:
o segundo é a duração de
9.192.631.770 períodos da radiação correspondente aos dois
níveis
hiperfinos do estado básico dos
átomos de Césio 133.
Os átomos, quando excitados, emitem radiações
monocromáticas, fenômeno que permite a determinação do segundo a
partir da freqüência das radiações. A radiação do césio é a
referência para estabilizar a freqüência de um oscilador de
quartzo. A exatidão da escala de tempo atômica pode ser
comparada a um relógio que em 1 milhão de anos apresenta uma
variação de menos de 1 segundo.
O relógio atômico de feixe de césio emite radiação de
freqüência "υ" determinada pela relação hυ= | EB – EA
|, sendo h a constante de Planck, EB, EA
níveis de energia.
A transição adotada para definir o segundo foi escolhida por
motivos técnicos devido aos instrumentos para medir freqüência
disponíveis, facilidades no emprego do césio para produzir um
feixe atômico, detecção por ionização, etc.
Os átomos de césio são irradiados com uma radiação na faixa
de microondas, ajustando-se esta freqüência até que ocorra a
transição (9.192.631.770 Hz). Ao atingir o nível máximo, a
freqüência da radiação incidente coincide com a do césio e pode
ser mantida estável facilmente.
O oscilador de quartzo do gerador de microondas produz os
sinais horários gerados pelo relógio.

Referências
Bibliográficas
> IVAN M. SILVA, PAULO M. SILVA E
ZULMIRA DE A. BRANDÃO, OS RELÓGIOS E SUA EVOLUÇÃO, OBSERVATÓRIO
NACIONAL, Departamento Serviço da Hora - DSH
> DIMAS DE, M. PIMENTA - O Relógio...Sua História, Dimep 1976.
> BYRON E. BLAIR, Editor - Time and Frequency: Theory and
Fundamentals, NBS monograph 140, May 1974.
> MARTIN R. STEGLITZ - The Global Positioning System, Microwave
Journal, April 1986.
> WILLIS I. MILHAN - Time and Timekeepers, Macmillan 1974