PROFESSOR PAULO CESAR |
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ENTENDA A CRISE MUNDIAL
A crise financeira que começou há mais de um ano nos Estados Unidos como uma crise no pagamento de hipotecas se alastrou pela economia e contaminou o sistema mundial. Banco atrás de banco por lá apresentou perdas bilionárias, outros chegaram a quebrar. Na Europa também há vítimas. E no Brasil? Por aqui, a crise não afeta ninguém diretamente --os bancos dizem não possuir papéis ligados às hipotecas--, mas atinge vários setores por causa da forte contração de crédito.
As
quebras e os problemas enfrentados por bancos até então considerados
importantes e sólidos geraram o que se chama de "crise de confiança". Num
mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular --quem possui recursos
sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para cobrir falta de caixa
não encontra quem forneça. Isso fez cair e encarecer o crédito disponível. E
numa economia globalizada, a falta de dinheiro em outro continente afeta
empresas no mundo todo.
Com a
circulação de dinheiro congelada e o consumo comprometido, o resultado
esperado é a contração das economias, uma vez que empresas, pessoas físicas
e governos passam a encontrar dificuldade em financiarem seus projetos.
Justamente para injetar liquidez (dinheiro nos mercados) os Bancos Centrais
fazem leilões de moeda e criam linhas especiais de bilhões de dólares.
No
Brasil, é exatamente esse o principal efeito da crise: a dificuldade em se
obter dinheiro. Grandes empresas que dependem de financiamento externo
passam a encontrar menos linhas de créditos disponíveis, afinal, os bancos
têm medo de emprestar em um contexto de crise. Por conseqüência, com a
dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de
construção dessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao
país.
Até
mesmo os bancos começam a sofrer com a dificuldade de captar recursos no
exterior, o que deve fazer os empréstimos ficarem mais caros e mais difíceis
também para as pessoas físicas. Por conta disso, as instituições de médio e
pequeno porte já tiveram ajuda do governo brasileiro.
Para
reduzir os efeitos da crise internacional, o BC (Banco Central) anunciou
mudanças nos
depósitos compulsórios das
instituições financeiras, um dos instrumentos usados para controlar a
quantidade de dinheiro que circula na economia.
Por
meio do depósito compulsório, o órgão obriga os bancos a depositar em uma
conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos
depósitos à vista, a prazo ou poupança. Assim, quando reduz o compulsório, o
BC dá aos bancos mais dinheiro para emprestar aos seus clientes.
Ainda
na esteira da contração do crédito, outra conseqüência da crise nos EUA é
haver alguma desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Isso
porque o consumo das famílias e o investimento das empresas, dois dos
principais pilares de expansão da economia nos últimos anos, cresceram
justamente pela farta oferta de crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos,
produz-se menos e o crescimento é menor. Também serão afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar --e menos população com capacidade de consumir.
Por
isso, o
governo já estuda linhas
especiais de financiamento. Entre as possibilidades está colocar mais
dinheiro no Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e garantir
recursos para ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), mecanismo que
permite às empresas oferecer os dólares que receberão por suas exportações
como garantia de empréstimos.
O
BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)
também já declarou que o banco de fomento conta com dinheiro
suficiente até a primeira metade de 2009 para fazer face à escassez de
crédito internacional.
Por
fim, pesa a alta do dólar --em momento de crise, a cotação sobe porque a
moeda americana, considerada um investimento seguro, tem mais procura. E o
dólar mais caro encarece os importados, o que pressiona a inflação e reduz o
poder de compra.
Bolsa de Valores
Um dos
reflexos mais visíveis da crise, porém, é a forte queda nos mercados
acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira
aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas
investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e
a crise aumenta, o que faz o investidores tirarem mais dinheiro. Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender --oferta elevada--, os preços dos papéis caem e os índices (que refletem os valores das ações) desvalorizam.
ENTENDA COMO COMEÇOU A CRISE A raiz do problema está no mercado imobiliário.
"Boom" imobiliário O mercado imobiliário americano passou por uma fase de expansão acelerada logo depois da crise das empresas "pontocom", em 2001. O Federal Reserve (Fed, o BC americano) passou a reduzir sua taxa de juros, a fim de baratear empréstimos e financiamentos e encorajar consumidores e empresas a voltarem a gastar. O setor imobiliário se aproveitou desse momento de juros baixos: a demanda por imóveis cresceu, atraindo compradores. Em 2003, por exemplo, os juros do Fed chegaram a cair para 1% ao ano --menor taxa desde o fim dos anos 50. Em 2005, o "boom" no mercado imobiliário já estava avançado; comprar uma casa (ou mais de uma) tornou-se um bom negócio, não só para quem queria adquirir a casa própria, mas também para quem procurava em que investir. Também cresceu a procura por novas hipotecas, a fim de usar o dinheiro do financiamento para quitar dívidas e consumir. As companhias hipotecárias descobriram nessa época um nicho ainda a ser explorado no mercado: o de clientes do segmento "subprime", caracterizados, de modo geral, pela baixa renda, por vezes com histórico de inadimplência e com dificuldade de comprovar renda. O segmento "subprime", assim caracterizado, representa um risco maior de inadimplência que os de outras categorias de crédito. mas justamente por ser de maior risco, as taxas de retorno são bem mais altas. A promessa de retornos altos atraiu gestores de fundos e bancos, que compram esses títulos "subprime" das companhias hipotecárias e permitem que uma nova quantia em dinheiro seja emprestada, antes mesmo do primeiro empréstimo ser pago. Um outro gestor, interessado no alto retorno envolvido com esse tipo de papel, pode comprar o título adquirido pelo primeiro, e assim por diante, gerando uma cadeia de venda de títulos. Porém, se a ponta (o tomador) não consegue pagar sua dívida inicial, ele dá início a um ciclo de não-recebimento por parte dos compradores dos títulos. O resultado: todo o mercado passa a ter medo de emprestar e comprar os "subprime", o que termina por gerar uma crise de liquidez (retração de crédito). Após atingir um pico em 2006, os preços dos imóveis, no entanto, passaram a cair: os juros do Fed, que vinham subindo desde 2004, encareceram o crédito e afastaram compradores; com isso, a oferta começou a superar a demanda e, desde então, o que se viu foi uma espiral descendente no valor dos imóveis. Com os juros altos, a inadimplência aumentou e o temor de novos calotes fez o crédito sofrer uma desaceleração expressiva no país como um todo. Sem oferta suficiente de crédito, a economia dos EUA desaqueceu. Com menos liquidez (dinheiro disponível), menos se compra, menos as empresas lucram e menos pessoas são contratadas. No mundo da globalização financeira, créditos gerados nos EUA podem ser convertidos em ativos que vão render juros para investidores na Europa e outras partes do mundo. Por isso o pessimismo influencia os mercados globais.
Primeiros efeitos Esse era o cenário quando o o BNP Paribas Investment Partners --divisão do banco francês BNP Paribas-- congelou, em agosto do ano passado, cerca de 2 bilhões de euros dos fundos Parvest Dynamic ABS, o BNP Paribas ABS Euribor e o BNP Paribas ABS Eonia. A alegação do banco era de preocupações sobre o crédito "subprime" nos EUA. Diante dessa medida, o mercado imobiliário reagiu com pânico. Gigantes do setor hipotecário, como a American Home Mortgage (AHM), uma das 10 maiores empresa do setor de crédito imobiliário e hipotecas dos EUA, pediu concordata. A Countrywide Financial, outra gigante do setor, teve de ser comprada pelo Bank of America. Citigroup, UBS, Bear Stearns e outros grupos financeiros de escala global perderam bilhões com os papéis ligados a hipotecas "subprime".
Um ano depois A crise, longe de perder fôlego, teve suas forças renovadas desde o início deste mês: as gigantes hipotecárias americanas Fannie Mae e Freddie Mac deram sinais de que poderiam quebrar. Com quase a metade dos US$ 12 trilhões em empréstimos para a habitação nos EUA em seus registros, o Departamento do Tesouro interveio para evitar o pior: anunciou uma ajuda de até US$ 200 bilhões. O Lehman Brothers, no entanto, foi deixado à própria sorte: afetado pelas perdas com a crise dos "subprime", o banco viu malograrem tentativas de encontrar um comprador e de levantar fundos junto a outras instituições privadas para tocar suas operações financeiras. Mesmo o governo negou um empréstimo. No último dia 15, a solução encontrada pelo banco foi pedir concordata. Ao fim do Lehman se seguiram a venda do Merrill Lynch ao Bank of America; a ajuda de US$ 85 bilhões à seguradora AIG, também sob risco de quebrar por falta de fontes de captação de empréstimos a quebra do banco do segmento de empréstimos em poupança ("savings & loans") Washington Mutual (WaMu) --no que, segundo analistas, foi a maior falência de um banco nos Estados Unidos--; e, hoje, foi anunciada a venda do Wachovia ao Citigroup. A venda ao Citigroup foi feita com assistência da FDIC (Corporação Federal de Seguro de Depósito, na sigla em inglês, órgão do governo que garante operações do setor bancário americano), que irá absorver as perdas do Wachovia acima de US$ 42 bilhões. Além disso o órgão do governo receberá US$ 12 bilhões em ações e garantias do Citigroup. Os problemas do Wachovia têm boa parte de sua origem na aquisição da companhia hipotecária Golden West Financial em 2006, por cerca de US$ 25 bilhões, quando o mercado imobiliário ainda estava em um momento de euforia. Com a compra, o Wachovia assumiu US$ 122 bilhões em hipotecas do tipo 'Pick-A-Payment', na qual a Golden West era especialista. Nessa modalidade, os mutuários tinham permissão para deixar de fazer alguns pagamentos.
Combate O pacote de estímulo aprovado em fevereiro surtiu algum efeito, com o envio de cheques de restituições aos contribuintes. O dinheiro extra favoreceu os gastos dos consumidores entre abril e julho, o que se refletiu nos dados do PIB (Produto Interno Bruto): no segundo trimestre, a economia cresceu 2,8% (ligeiramente menor que os 3,3% em um cálculo prévio). Analistas dizem, no entanto, que, sem o benefício do dinheiro extra, nos próximos trimestres o desempenho econômico americano deverá ser inferior. O pacote rejeitado, de US$ 700 bilhões, foi outra iniciativa para evitar que a crise financeira contamine a economia. O secretário do Tesouro dos EUA, Henry Paulson, e a Casa Branca, manifestaram desapontamento com a rejeição. Paulson disse que é preciso "chegar a um texto que todos possam aprovar" e de "um plano que funcione, o mais rápido possível". Já o porta-voz da Casa Branca Tony Fratto reconheceu que "não há dúvidas de que o país está enfrentando uma crise difícil". Horas antes, o presidente dos EUA, George W. Bush, pediu mais uma vez a aprovação do pacote. "Votar essa lei é votar na prevenção de danos econômicos a vocês e às suas comunidades", afirmou. Bush ainda havia afirmado que, apesar do pacote de ajuda, a economia americana ainda deverá sentir o impacto da crise "por algum tempo". "No longo prazo, os EUA vão superar os desafios e continuar a ser a maior economia do mundo", afirmou.
RESUMINDO TEMOS....
Este site foi atualizado em 18/05/09 |