náuseas, vômitos e
ardor na região afetada ? Já soube que os
paleontólogos e arqueólogos
costumam datar a
idade dos fósseis
por meio do método
do Carbono-14?
O que tudo isso têm
em comum?
A
Radioatividade
!!
O
Portal de
Estudos em Química
apresenta a história de
Madame
Curie, como
era conhecida Marie Curie, a precursora da
Radioatividade, fenômeno esse que deu início à era
da Física Atômica e Nuclear.
Marya Sklodowka Curie,
vencedora do 11° Prêmio Nobel de Química, nasceu em 7 de
setembro de 1867, em Varsóvia, Polônia, tendo sobrevivido numa
época na qual a Revolução Industrial, iniciada na Inglaterra, no
século XVIII, ganhara novo impulso com a utilização do aço,
petróleo e eletricidade. Ao mesmo tempo, o avanço científico
progredia para novas dimensões um tanto impressionantes: eram as
correntes do Cientificismo, dos ideais do Positivismo de Auguste
Comte, do socialismo de K. Marx e F. Engels e do Evolucionismo
de Charles Darwin tomando conta da Europa e que, aliadas às
conturbadas manifestações de ordem sócio-político-econômica,
culminaria, mais tarde, em 1914, na explosão da 1ª Guerra
Mundial.
Pouco depois de a Academia de Ciências da França
ter-lhe negado
uma cadeira como membro
simplesmente por ser mulher,
Madame Curie ganhou seu prêmio em 10 de dezembro de 1911 por
suas
contribuições relevantes sobre a radioatividade
quando da publicação, em 1910, do "Tratado
de Radioatividade",
passando a ser a única pessoa do mundo (até então) a ganhá-lo
duas vezes (a 1ª foi em 1903, com o Nobel de Física pelas
descobertas, em parceria com seu esposo Pierre Curie
(1859-1906), dos elementos
polônio
e, especialmente,
rádio; ambos
dividiram metade desse prêmio com Henri Becquerel (1852-1908) ).
Marie Curie era a caçula de cinco filhos de um
professor de Física, dotada de uma memória excepcional,
inteligência invulgar, voluntariosa, bonita, tenaz e, sobretudo,
precoce: aos 4 anos já sabia ler e, implacavelmente,
era sempre a primeira
em todas as matérias na escola.
Para viver, trabalhou como preceptora, só indo
inscrever-se na Faculdade de Ciências da Sorbonne, em Paris, no
mês de julho de 1896, aos 28 anos, ficando em 1° lugar nos
exames. Lá obteve os graus de bacharel em Física e Matemática.
Em novembro de
1903, obteve seu doutorado em Ciências Físicas, pela
mesma universidade, por "Pesquisas de Substâncias
Radioativas", onde afirmara que a uma certa
quantidade de urânio corresponde uma igual
intensidade de radiação e que esta última não é
influenciada nem pelo estado de combinação química
nem por circunstâncias externas. Noutros termos, a
radiação se deve tão-somente a uma
propriedade atômica do núcleo.
Mas quando a radiação emitida pela pechblenda
(minério de óxido de urânio) se revelou mais forte
do que pudesse prever, especulou-se a existência de
um novo elemento químico
mais ativo que o urânio nesse mesmo minério, em
quantidades infinitesimais (só para se ter uma
idéia, é necessário duas toneladas de pechblenda
para obter apenas um décimo de grama de
rádio
e que, por isso mesmo, pode-se imaginar o tamanho de
trabalho árduo que o casal Curie tiveram que fazer,
através de um grande número de separações por
cristalização fracionada entremeadas de reações
químicas), o que foi comprovado pelos mesmos.
A radioatividade abriu uma
corrida na Era Nuclear, com as pesquisas em Química e Física se
intensificando mais nessa área, suscitando polêmicas quanto aos
seus malefícios e benefícios.Trouxe maiores esperanças de
tratamento para
vários tipos de câncer;
em Química Analítica encontra aplicações na análise por diluição
isotópica e na análise por ativação com nêutrons bem como serve
para a determinação de estrutura de substâncias, dentre outros
usos.
Em 1895 casou-se com Pierre Curie, cientista francês
famoso principalmente por suas pesquisas no campo da
Cristalografia, e dessa união nasceram duas filhas, Irene (que
mais tarde também ganharia o Nobel de Química, em 1935) e Eve.
Faleceu aos 66 anos na primavera de Paris, em 4 de
julho de 1934, aniquilada por perniciosa anemia,
o mal que contraíra manejando o terrível elemento que
descobrira.
03/05/1992
18/09/1998
Moeda com Maria Sklodowska-Curie, 10 zlotis
poloneses em 1967.
Selos dos Curie,
Agência de Correio Polonesa
“ Se as
conquistas úteis à humanidade vos comovem; se ficais pasmados
diante da telegrafia elétrica, da fotografia, da anestesia, e de
tantas outras descobertas; se estais orgulhosos e conscientes da
parte que cabe ao vosso país na conquista dessas maravilhas,
tomai interesse, eu vos conjuro, por esses recintos sagrados que
chamamos de laboratórios. Façais o possível para que eles se
multipliquem. Eles representam os templos do futuro, da riqueza
e do bem-estar social. É por intermédio deles que a humanidade
melhora e cresce. É neles que o homem aprende a ler os segredos
da natureza e da harmonia universal, enquanto as obras do homem
são quase sempre obras de barbárie, de fanatismo e de
destruição...”
(Madame Curie, em seu discurso
quando da inauguração do Instituto
de Radium,
em Paris, julho de 1914,
início da 1ª Guerra Mundial).