PROFESSOR

PAULO CESAR

PORTAL DE ESTUDOS EM QUÍMICA
 

DICAS PARA O SUCESSO NO VESTIBULAR: AULA ASSISTIDA É AULA ESTUDADA - MANTER O EQUILÍBRIO EMOCIONAL E O CONDICIONAMENTO FÍSICO - FIXAR O APRENDIZADO TEÓRICO ATRAVÉS DA RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS.

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A importância do Sono

 

Nesta seção conversaremos sobre outro importante componente do princípio emocional: o sono.

Desde a antiguidade, o processo do sono desperta o interesse e a curiosidade dos homens. Hipócrates associava a insônia ao aborrecimento e à tristeza, enquanto Aristóteles experimentava um interesse fisiológico pelo sono, acreditando que era necessário para a manutenção da percepção, que, se utilizada ininterruptamente, se esgotaria1.

Podemos distinguir duas diferentes situações referentes ao sono. Na primeira temos indivíduos que deixam de dormir ou por vontade própria, ou por necessidade. Isso pode acontecer, por exemplo, quando vamos a uma festa que dura a noite toda, ou quando temos de trocar uma boa noite de sono por uma jornada de estudos. Na segunda temos as pessoas que realmente têm dificuldades relativas ao sono.


Em primeiro lugar, acredito ser importante uma definição científica da insônia. A insônia é um sintoma que se refere à inabilidade de se iniciar e manter o sono. É acompanhada de sono de baixa qualidade, interrompido, assim como sono de duração reduzida, sendo insuficiente para restaurar o alerta completo2. A falta de sono adequado associa-se à fadiga mental e física, à sonolência e à perda de motivação. Muitos fatores podem desencadear a insônia, mas o denominador comum é ativação do sistema de manutenção de alerta. A hiperatividade do sistema ocorre em resposta a fatores geradores de estresse originados no ambiente ou a fatores de natureza médica ou psicogênica3.


Não é necessário discorrer a respeito do estresse ao qual os vestibulandos são submetidos durante o ano de cursinho; mas, quando o estresse passa a comprometer a qualidade e a quantidade do sono de maneira crônica, algumas medidas devem ser tomadas para interferir de maneira positiva nesse processo.


É claro que uma noite mal dormida de vez em quando não vai causar grandes problemas. Contudo ficar noites seguidas sem dormir, o que às vezes é comum com alguns vestibulandos, não ajudará no desempenho de um exame vestibular. Isso porque é justamente no sono profundo que as informações adquiridas durante o dia são armazenadas na chamada memória de longo prazo. É nele que os dados registrados ficam armazenados. Caso durma pouco e não chegue ao chamado sono REM (sigla em inglês de movimento rápido dos olhos), etapa em que as informações se fixam, o estudante terá dificuldades em se lembrar das matérias estudadas no dia anterior. Depois de uma semana sem entrar na fase REM, a sensação de uma pessoa é a de não ter dormido nada, e sono e falta de concentração caminham juntos.


Mas, qual seria o número ideal de horas de sono diárias? Segundo um estudo realizado pela University School of Medicine de Stanford (EUA), existe um número de horas de sono ideal para cada pessoa, a maior parte estando entre sete horas e nove horas por noite.


Outro ponto importante refere-se à prática de exercícios. Em estudo conduzido por Syngh et al.4, indivíduos sedentários com problemas de sono que engajaram num programa de atividade física de apenas duas vezes por semana, relataram que adormeciam mais rapidamente, aumentaram o número de horas dormidas por noite e se sentiram mais descansados ao despertar. No entanto, deve-se evitar atividade física intensa próxima da hora de dormir, pois a alta estimulação pode comprometer a qualidade do sono.


Já comentamos em artigo anterior os ritmos biológicos. De acordo com os pesquisadores que estudam esses ritmos, os cronobiólogos, existe uma glândula no cérebro chamada pineal, que produz a melatonina. A melatonina é um neuro‑hormônio responsável pelo controle biológico de cada pessoa, e a sua secreção está relacionada aos ciclos de períodos claro-escuro. A troca do dia pela noite interfere na sua produção, o que prejudica o ritmo biológico.


Grupos de pesquisadores têm realizado estudos com o intuito de estabelecer uma série de medidas para melhorar a qualidade do sono, chamadas “medidas higiênicas do sono”5,6. Entre as medidas incluem-se:

a) Manter certa regularidade no horário de dormir e de acordar. Não compensar uma noite mal dormida com prolongamento do sono pela manhã ou com cochilos diurnos.

b) Evitar longos períodos acordado na cama, seja tentando dormir, seja pela manhã ao acordar. Não é benéfico esforçar-se para dormir. O esforço, usualmente, é acompanhado de ansiedade e estimulação, que se traduzem em mais insônia. Caso ocorra a insônia, é recomendável procurar uma atividade relaxante.

c) Fazer exercícios físicos regulares não muito próximos da hora de dormir.

d) Evitar o uso de álcool, pois, além de estar associado à insônia intermediária ou final, pode causar danos à estrutura do sono.

e) Evitar o uso de estimulantes. Particularmente o café deve ser evitado a partir das 14h/15h, porque tem vida média prolongada. Além de causar ansiedade e insônia, perturba a estrutura do sono.

f) São também medidas úteis no controle da insônia: um banho de temperatura agradável, um lanche leve antes de dormir e um ambiente adequado.


Baseados nisso, acreditamos que a organização de horários em relação aos estudos deve conter horários definidos também para o sono. Se considerarmos que uma boa parte dos vestibulares é realizada no início da tarde, o hábito de dormir todos os dias depois do almoço e deixar para estudar mais tarde poderia influenciar o desempenho do candidato, deixando-o com mais sono naquele horário e, portanto, com menor capacidade de raciocínio e concentração.


Enfim, o sono é um componente muito importante neste ano de cursinho, e pequenas alterações no seu cotidiano podem contribuir para melhorá-lo.

 

 


Infográfico

 

 

 

Referências

 

1. Souza JCPRP, Souza NM. Sono, filosofia e mitologia: correlações clínico-filosóficas e mitológicas. Campo Grande, UCDB, 1998: 1-57.


2.
Zeitlhofer J, Tribl G, Saletu B. Sleep disorders in neurology: hyposomnia. Wien Klin Wochenschr 1993; 105:37-41.

3. Zucconi M, Ferrini-Strambi L, Gambini O, Castronovo C, Galli L, Campana A, Scarone S, Smirne S. Structured psychiatric interviewand ambulatory sleep monitoring in Young psychophysiological insomniacs. J Clin Psychiatr 1996;57:364-370.

4. Singh NA, Clementis KM, Fiatarone MA. A randomized controlled trial of the effects of exercise on sleep Sleep . 1997, fev.20:2,95-101.

5. Gillin JC. Are sleep disturbances risk factors for anxiety, depressive and additive disorders? Acta Psychiatr Scand 1998;393:39-43.

6. Gillin JC, Beverley WF. The diagnosis and management of insomnia. N Eng J Med 1990: 322: 239-248

 

 

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Este site foi atualizado em 22/07/10