PROFESSOR

PAULO CESAR

PORTAL DE ESTUDOS EM QUÍMICA
 

DICAS PARA O SUCESSO NO VESTIBULAR: AULA ASSISTIDA É AULA ESTUDADA - MANTER O EQUILÍBRIO EMOCIONAL E O CONDICIONAMENTO FÍSICO - FIXAR O APRENDIZADO TEÓRICO ATRAVÉS DA RESOLUÇÃO DE EXERCÍCIOS.

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A química do beijo:

Ela só pensa em beijar, beijar, beijar...

Casablanca2.jpg Com todo respeito a Nat King Cole e sua belíssima música “As time goes by” (tema do clássico filme Casablanca), um beijo é muito mais do que um beijo.

O dia de São Valentino, 14 de fevereiro, comemorado como dia dos namorados em diversos países, ensejou a publicação de uma série de reportagens sobre a química do amor, da atração sexual e do beijo (c.f. “fontes de informação”).

Não se sabe como o ato de beijar teve início na história da humanidade, daí não se saber quem deu o primeiro beijo.  Os primeiros registros históricos do beijo foram esculpidos por volta de 2.500 a.C. nas paredes dos templos de Khajuraho, na Índia. Antropólogos acreditam que o beijo nasceu do ritual de mastigar os alimentos antes de dá-los aos filhos, como até hoje o fazem vários animais, como, por exemplo, os pássaros.

A química do beijo e da atração sexual vem sendo estudada há décadas e, em alguns aspectos, ainda é repleta de mistérios.

Beijo de amigo, beijo selinho, beijo comportado, beijo romântico, beijo sensual, beijo de lado, beijo roda-gigante, beijo aspirador de pó, beijo roubado, beijo devolvido, beijo com pressa, beijo sem pressa, beijo tântrico ... Quantos tipos de beijo você conhece? Provavelmente todos. A diferente “nomenclatura” depende apenas da sua geração, da cultura de seu país e de querer, enfim, dar “nome aos bois”.

Por exemplo, os romanos classificavam ou nomeavam os beijos em apenas três tipos: o basium, trocado entre conhecidos; o osculum, dado apenas em amigos íntimos; e o suavium, que era o beijo dos amantes.

No encontro anual da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS), realizado de 12 a 16 de fevereiro de 2009, um dos simpósios foi dedicado à “Ciência do Beijo” e, entre outros assuntos, foram discutidos a química do beijo e de prováveis feromônios de atração sexual humana.

A antropóloga Helen Fischer da Universidade de Rutgers em Nova Jérsei (EUA) conta que, assim como os chipanzés, 90 % das sociedades humanas praticam o beijo e acredita-se que o ato de beijar oferece uma vantagem evolutiva.

Segundo matéria de Chip Walter para a revista Scientific American de Janeiro de 2008 (Affairs of the Lips: Why We Kiss), o beijo desencadeia uma cascata de eventos químicos que transmitem sensações táteis, estímulos sexuais, sentimento de proximidade, motivação e euforia.

 

Para Fischer, o homem prefere os beijos molhados e com a língua em ação, permitindo a transferência de maior quantidade de testosterona à mulher. Testosterona, todos já sabem, aumenta a libido - consequentemente melhora o humor - feminina. O “beijo de língua” também permitiria que os homens percebam, inconscientemente, se a mulher está em sua fase menstrual.

Testosterona

Mas se é no “beijo molhado” que substâncias químicas são trocadas através da saliva, para os casais essa troca pode significar o fim do relacionamento ou o início de uma relação duradoura, até que o último beijo (ou a falta de) os separe.

Experiências, no mínimo interessantes, vêm sendo conduzidas por Wendy L. Hill e seus colaboradores no Centro de Saúde do Estudante do Lafayette College e foram descritas por Tina H. Saey em sua matéria para a Science News de 13 de fevereiro de 2009 (“Kissing Chemistry”).

Segundo a Profa. Hill, ainda não foi comprovado, ao menos cientificamente, que passar no teste do primeiro beijo significa passar no teste químico. Seu grupo fez uma experiência com 15 casais heterossexuais (com diferentes tempos de relacionamento) em que a saliva e o sangue de cada voluntário foram analisados antes e depois do “experimento”. Nas amostras de saliva mediu-se o cortisol (hormônio do estresse) e no sangue os níveis de oxitocina, peptídeo neurotransmissor, também conhecido pela internet como o hormônio do amor.

A despeito do número reduzido de casais voluntários e do “estranho” experimento, alguns resultados interessantes foram obtidos e se tornaram “notícia” em diversos jornais.

 

Oxitocina

A oxitocina possui um papel importante nas relações humanas, tais como: confiança e percepção emocional. Como a confiança é indispensável nas relações de amizade, relações familiares e quaisquer tipos de interações humanas, há diversos estudos relacionando-a não só com o “amor”, mas também com mudanças econômicas e políticas na sociedade (Kosfeld et al., 2005; Unkelbach & Guastella, 2008).

 

Pediu-se que, durante 15 minutos, os casais: grupo a) se beijassem; ou grupo b) dessem as mãos e conversassem. Após esse tempo recolheu-se novamente a saliva e o sangue dos voluntários.

No início da experiência as mulheres apresentaram níveis maiores de oxitocina do que os homens, sendo que os níveis foram ainda maiores para aquelas que usavam pílulas anticoncepcionais. Após o beijo o nível de oxitocina nos homens aumentou, mas nas mulheres diminuiu. Esse resultado foi, para Hill, inesperado e inexplicável. Aqueles que se deram as mãos mostraram resultados similares apesar da diferença de níveis de oxitoxicina ser menor.

O nível do hormônio do estresse diminuiu nos dois grupos e em ambos os sexos, com queda mais acentuada naqueles que se beijaram.

Hill e seus colaboradores especulam que o “inesperado” nível de oxitocina nas mulheres pode ter sido afetado pelo ambiente em que a experiência foi realizada. Os próximos experimentos serão realizados à luz de velas, ao som de jazz e outros cenários mais românticos na tentativa de descobrir qual seria a influência do ambiente nas mulheres.

Beijar é bom, mas várias doenças podem ser transmitidas pela saliva: mononucleose infecciosa (febre do beijo), cáries dentárias, candidíase bucal (sapinho), herpes e tuberculose.  Outras doenças, como hepatite e doenças sexualmente transmissíveis (e.g. HPV, gonorréina, sífilis), causam contaminação pela via bucal com pouca frequência e devem ser levadas em consideração, principalmente, quando existem lesões ou sangramentos gengivais.

Na entrevista para a matéria de Julie Steenhuysen da agência Reuters (“Kissing: It really is all about chemistry”) de 14 de fevereiro, fica claro que Fisher possui uma abordagem diferente em seus experimentos, visto que utiliza imagens do cérebro (Imagem Funcional por Ressonância Magnética).

O beijo pode acessar três dos principais sistemas cerebrais usados no acasalamento e reprodução: a atração sexual, principalmente relacionada à testosterona; o amor romântico ou apaixonado, que motiva as pessoas a manterem a atenção em seu parceiro; e, por último, aquele que mantém a união durante o tempo suficiente para criarem seus filhos.

“Que é quando eu te vejo
Desperta o desejo
Eu lembro do seu beijo
E não paro de sonhar...

 

Ela só pensa em beijar
Beijar! Beijar! Beijar!
E vem comigo dançar
Dançar! Dançar! Dançar”

Ela só pensa em beijar (Se ela dança eu danço)

Mc Leozinho

Ao fazer sexo, os níveis de dopamina no cérebro aumentam levando os casais até a fronteira da paixão. Com o orgasmo, os casais são surpreendidos com uma avalanche de oxitocina e vasopressina - dando-lhes sentimentos de apego.

A serotonina é outro neurotransmissor envolvido no amor e no desejo sexual. O consumo de antidepressivos inibidores da sua recaptação (ISRS) reduz os sentimentos do amor romântico e o desejo sexual.

 

Assista a palestra “The Brain in Love” da Profa. Helen Fischer (retirada do YouTube):

Veja também outras duas matérias da ABC News em: http://abcnews.go.com/video/playerIndex?id=6775422

O beijo, diz Fisher, é apenas a ponta do iceberg do ritual químico da “corte” humana e o mesmo ativaria a produção de diferentes substâncias responsáveis pelos estímulos nas três regiões do cérebro.

Independente de comprovações científicas, beijar faz bem ao corpo e ao espírito. Beijo no rosto, beijo de selinho, primeiro beijo, beijo apaixonado. Beijar é muito bom, e apesar de todos os benefícios e mecanismos químicos do “beijo” ainda não terem sido comprovados cientificamente, alguns cuidados devem ser tomados já que, comprovadamente, certas doenças são transmitidas pela saliva (ver quadro).

 

Talvez aquele “alerta” inexplicável que nos diz para não “beijar de língua” ou não beijar novamente também seja um “alerta químico” passado ao nosso cérebro e que ainda é desconhecido pela ciência.

 

Alguns beijos famosos do cinema

 

 

 

 

Referências Bibliográficas

 

Saey, T. H. Kissing Chemistry. Science News, 13 de fevereiro de 2009. Disponível em: < http://www.sciencenews.org/view/generic/id/40884/title/Kissing_chemistry>. Acesso em: 18 fevereiro 2009.

 

Steenhuysen, J. Kissing: It really is all about chemistry. Reuters, 14 de fevereiro de 2009. Disponível em: <http://www.reuters.com/article/scienceNews/idUSTRE51D1MM20090215>. Acesso em: 18 fevereiro 2009.

 

Walter C. Affairs of the Lips: Why We Kiss.  Scientific American Mind Magazine, fevereiro de 2008. Disponível em: http://www.sciam.com/article.cfm?id=affairs-of-the-lips-why-we-kiss. Acesso em: 18 fevereiro 2009.

 

Fischer H. HelemFischer.com. Disponível em: < http://www.helenfisher.com/index.html>. Acesso em: 19 fevereiro 2009.

 

Kosfeld M.; Heinrichs,M.; Zak, P.l J.; Fischbacher, U.; Fehr, E. Nature 2005, 435, 673. [CrossRef]

 

 

Unkelbach, C.; Guastella, A. J;. Forgas, J. P. Phisiological Science 2008, 19 (11), 1092. [CrossRef]

                                     

 

As fotos dos filmes estão disponíveis em:<http://www.filmsite.org/filmkisses.html>. Acesso em 18 fevereiro 2009.

 

 

Aprofundando o Assunto

 

Rimmele, U.; Hediger, K.; Heinrichs, M.; Klaver, P. Journal of Neuroscience 2009, 29(1), 38. [CrossRef]

 

de Carvalho, M. D. P.; Alves, A. L.; Barros, M. D. International Journal of Morphology 2008, 26(2), 283. [Link]

 

Unkelbach, C.; Guastella, A. J.; Forgas, J. P. Psycological Science 2008, 19(11), 1092. [CrossRef]

 

Saxton, T. K.; Lyndon, SA.; Little, A. C.; Roberts, C. Hormones and Behavior 2008, 54(5), 597. [CrossRef]

 

Donaldson, Z. R.; Young, L. J.; Science 2008, 322(5903), 900. [CrossRef]

 

Ishak, W. W.; Berman, D. S.; Peters, A. Journal of Sexual Medicine 2008, 5(4), 1022. [CrossRef]

 

Debiec, J. FEBS Letters 2008, 581(14), 2580. [CrossRef]

 

 

Para citar esta matéria:

 

Rosângela de A. Epifanio, A química do beijo: Ela só pensa em beijar, beijar, beijar ..., Novidades na Ciência – SBQ Rio, 20 fevereiro 2009. Disponível em: <http://www.uff.br/sbqrio/>

 

 

 

 

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Este site foi atualizado em 17/01/11